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Tímpanos inventados

I

me remexo na cama
ouço meus ruídos
apenas
primeiro o do lençol na pele
depois a pele respirando ar
depois o ar entrando em mim

e por último esta noite
indiferente
desconhecida
imensa
deitada no céu


II

levanto-me para preparar um chá
alta madrugada
palavras agora ouço
pelo escritório estalando seus ossos
levantadas para o mundo
(como estrelas)
são minhas desconhecidas memórias,
condição de desfazer-me,
e a palavra é quando acordo para um sono que nunca dorme,
estou alheio-sempre, palavra

III

invento agora outros ruídos; eu que não inventei o ouvir
- a brincação dos sentidos é lugar de mim onde a vida ainda é viva -
uma estrela explodiu
a quentura do chá tem Língua
o frio é um ruído

minhas invenções(tentativas de mim)
desconhecem a si próprias, feito-eu-feito-de-mim

IV

pronto, já sou um barulho no mundo

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