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Confidências públicas ao amigo de poesia

pelos rastros
muita dor
inútil poeta
poesia
afoga
amassa
inútil a flor
sem querer cerzir nada

dificuldade para pensar e agir
a vida esgarçada machucada aos quatro ventos
gritos sem resposta
apelos sem perguntas
amor sem ser nem pra que
ele escorregou
pela cabeça
sacos de pancadas
pelos dedos
o vermelho sangue das idas e vindas
pelo corpo todo desolação
coração sem razão
vida sem razão
mundo sem razão
"poderia ser morrido"
"poderia ser sumido"
"poderia ser destruído"
no peito o colorido da indiferença

as imagens não cessam

não findam
não se vão
se turvam e se iluminam ao mesmo tempo
de solidão incontinência
famílias assustadas
a cidade assustada
a praça assustada
eu meu susto
deixei de me reconhecer
quando te amava
amar inútil
amar que não presta mais
o amor fracassou
a vida ainda não
quase

nós no peito

vidas pela metade
sem passado sem presente sem futuro
o sem sentido de um sentir lancinante
"querer cuidar de quem não cuida, você é burro"
"pra que mentir se o amor não vale nada mais?"
sangue na camisa pela calçada
em todas as partes um poeta querendo se enganar
em todas as partes as pessoas alarmadas
as pessoas caladas
duas ruas caladas
a madrugada deixou de ser encantada
a noite perdeu a sua luz inesgotável
ele optava até pela raiva
intencionalmente para não aceitar o fim
não dava mais pra curar por que já era morto
não havia mais nada ali
só tontura
descaso
maldizer
sem se arrepender ia catando os cacos
sem se desculpar ia se enlanguecendo
até morrer no mar não adiantou
ia se casar
ia se unir
ia se engajar

quem era aquele moço?

quem era aquele bicho?
quem era aquele moleque?
como seu daimon que todos enxergam
menos ele próprio
ia se vigiando e se punindo
até pra não tornar mais nada prestável
descartava-se do próprio corpo
se libertar de que?

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