sem motivo
copiava
aqueles recados
para
deixá-los no mar
ou
suspendê-los da vida
dependurar
aquelas palavras de chamados
amarrar
em qualquer varal
a
dor que saía em jornais
para
secar-lhe por último as peles
sem motivo
como
mar mundo
errante
vinham-lhes
peripécias naufrágios
périplos
ignorados
circulavam
descompreendidos
desacolhidos
sentires
voltas
dos sentires
faca
amolada cortante sal
quantas
luzes
quantos
achados
quantos
ainda perdidos estavam
tantos
amantes
em
uma cidade
tantos
motivos sem motivos
por
aí pelos mundos
vagarosamente se erguiam dias
se
erguiam noites
se
erguiam homens
se
erguiam sem motivos
de
manhã caminhando exausto na areia
segunda
feira no brasil
meu
coração sem dias
continentes
atemporais pelos braços
esquecidas
inúteis ignoradas paisagens
queria
ser pássaro?
queria
ser água?
queria
ser ele?
queria
ser ela?
queria
ser queria?
do
cansaço sem motivo ainda
qualquer
recado de si
de
sua jovial serenidade esquecida
agora
outra vez
amar
a liberdade da sua arte
pairavam
apelos feitos de nuvens
a
memória era fiel ao menos
era
solidão que lhe lançava
na
proximidade sem fundo
pre-funda
de
todas as coisas novamente
solidão
era estar solidário
a
todos os seres
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