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Nadar

poesia pulsa repulso
repulsa pulso
hora que lança e desalcança
assim daquela vez mar
alcance de nada
cansar ternurado de homem boiando
mar nunca mesmo mar
descansado silêncio

céu de domingo
nunca mesmo domingo céu homem
dos mesmos muitos mais
lágrima salgada sal do mar
reconciliado no coral

ninguém perde nem ganha com poesia

alegria serena
é alguma persistência de alguma serenidade
ou de ondas
ou de horizontes
como é ser horizontes?
a insistência serena do nada, da vida
o esquecimento da água
a borda do ser
diagonal surgir encontro

mergulhou sem medo

olhos curiosos
criança nua gargalhando
homem ferido com peixes
moleque
moqueca
calcinha

saudade em lagoa

idades em ponta de urubu
praia sem areia que dormia de tarde
das pedras que amanheciam em mim
o incesto de existires com siris
caxixis caxingos

em paisagem a passagem da paisagem

visagem passadeira chuva
agiam pescadores e capoeira
de manhã em salvador
salvaram dor num barco dáfrica hippie
notícia pra jornal
ou ninaram o dia
num cordel em paripe

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