até onde se via era um muro
de um lado real elaborado
do outro solidão bruta;
como, no farol, ventos infinitos
e até quando se via era outro muro
de um lado o que estava sendo
do outro uma experiência provável de
eternidade;
em mim, corpos finitos
as tardes, densas como suas luzes,
indemonstrando razões e memórias,
compostas e recortadas;
uma hora menino elaborando terra
noutra coisas muitas sobre um planeta
na árvore, tardes de des-razões e
sucessos diante da complexidade das memórias exaustas e dispostas
(como deveriam ser as pernas do poema)
(como deveriam ser as pernas do poema)
a medida do real era o impossível
enquanto rotacionavam lua e sol no poema
e para fora dele
defronte às tardes, revelando,
o que se tinha não era nem o
aonde-presente,
eram suas fronteiras, ditas muros
ao invés de cerca, portal, apoios
a delicadeza da estrela e da flor
estavam mortas, explosões
a delicadeza dos muros estava morta,
implosão ininterrupta de dois espaços
nada poderia ser se não fosse na
fronteira do aonde-presente,
na linha, na deriva do sem prumo
palavras aconchegadas às águas me
lambiam o sexo, cios;
corpo bêbado de vento cambaleava sons
e a experiência era dentro-fora de tudo:
dentro-fora da tarde vazia
vovô não me esperaria no portão com as
chaves do mundo
muito menos o amigo morto me escrevia
uma carta;
as coisas como coisas eram iguais a
elas,
dentro-fora delas não, eram insanas e
intermitentes
(como deveria ser todo o corpo do poema)
abstrações eram risos de idéias
e as transcendentalidades sólidas
des-construções;
a tarde e a sua gana pareciam
influenciar elaborando inocências,
como a de um galho caído ou a
imperfeição homogênea da areia
as intenções reviravam-se desmedidas,
o corpo um só momento,
indo-se sem tradução, uma espacialidade
indizível,
éramos todos corpos
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