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É que 10

até onde se via era um muro
de um lado real elaborado
do outro solidão bruta;
como, no farol, ventos infinitos

e até quando se via era outro muro
de um lado o que estava sendo
do outro uma experiência provável de eternidade;
em mim, corpos finitos

as tardes, densas como suas luzes,
indemonstrando razões e memórias, compostas e recortadas;
uma hora menino elaborando terra
noutra coisas muitas sobre um planeta

na árvore, tardes de des-razões e sucessos diante da complexidade das memórias exaustas e dispostas
(como deveriam ser as pernas do poema)
a medida do real era o impossível
enquanto rotacionavam lua e sol no poema e para fora dele

defronte às tardes, revelando,
o que se tinha não era nem o aonde-presente,
eram suas fronteiras, ditas muros
ao invés de cerca, portal, apoios

a delicadeza da estrela e da flor estavam mortas, explosões
a delicadeza dos muros estava morta, implosão ininterrupta de dois espaços
nada poderia ser se não fosse na fronteira do aonde-presente,
na linha, na deriva do sem prumo

palavras aconchegadas às águas me lambiam o sexo, cios;
corpo bêbado de vento cambaleava sons
e a experiência era dentro-fora de tudo: dentro-fora da tarde vazia

vovô não me esperaria no portão com as chaves do mundo
muito menos o amigo morto me escrevia uma carta;
as coisas como coisas eram iguais a elas,
dentro-fora delas não, eram insanas e intermitentes
(como deveria ser todo o corpo do poema)

abstrações eram risos de idéias
e as transcendentalidades sólidas des-construções;
a tarde e a sua gana pareciam influenciar elaborando inocências,
como a de um galho caído ou a imperfeição homogênea da areia

as intenções reviravam-se desmedidas,
o corpo um só momento,
indo-se sem tradução, uma espacialidade indizível,



éramos todos corpos

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