lembrar para ela, dentre os outros
tantos modos de liberdade, era o que mais lhe dizia sobre si. Sentia com o
agora a inquietude, ora rebelde ora tenra, que qualquer corpo experimenta por
estar amarrado entre dois horizontes temporais maiores do que as perspectivas
do próprio corpo, miúdo e herança de pó. O futuro: não o tinha simplesmente por
que quando sua imaginação se fundia com a vontade nada ocorria senão um soluço
suave, como era um estar vivo, amputando o futuro de seu vocabulário e fadando
o seu corpo ao agora. Nas inquietudes dos seus agoras-sem-futuros, lembrar era
o modo de liberdade que mais lhe conduzia a si, que mais lhe arquitetava sobre
o mundo. Os outros modos de liberdade eram inexistentes: o futuro uma utopia e
o agora uma inquietude constante do corpo diante dos tempos e dos espaços. O
lugar predileto do seu pensamento era, enfim, a memória; aquilo que restava de
toda experiência e experimento dos agoras. Estava na memória uma liberdade
plena para ser outra vez agoras-sublimes, no agora-inquieto-veraz, o monólito
do transcorrer. Assim, gastava-se o seu tempo dentro da tarde vazia.
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