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É que 9

lembrar para ela, dentre os outros tantos modos de liberdade, era o que mais lhe dizia sobre si. Sentia com o agora a inquietude, ora rebelde ora tenra, que qualquer corpo experimenta por estar amarrado entre dois horizontes temporais maiores do que as perspectivas do próprio corpo, miúdo e herança de pó. O futuro: não o tinha simplesmente por que quando sua imaginação se fundia com a vontade nada ocorria senão um soluço suave, como era um estar vivo, amputando o futuro de seu vocabulário e fadando o seu corpo ao agora. Nas inquietudes dos seus agoras-sem-futuros, lembrar era o modo de liberdade que mais lhe conduzia a si, que mais lhe arquitetava sobre o mundo. Os outros modos de liberdade eram inexistentes: o futuro uma utopia e o agora uma inquietude constante do corpo diante dos tempos e dos espaços. O lugar predileto do seu pensamento era, enfim, a memória; aquilo que restava de toda experiência e experimento dos agoras. Estava na memória uma liberdade plena para ser outra vez agoras-sublimes, no agora-inquieto-veraz, o monólito do transcorrer. Assim, gastava-se o seu tempo dentro da tarde vazia.

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