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Manhã que sempre lembra

nenhuma vergonha na cara
olhando infinitos dos seres do mar

de inventar sentidos inventava

nenhuma memória impossível
o soldadinho de chumbo no barquinho
as galáxias

nenhum pudor na cara

de mãos vazias
enquanto o mar puro impossível, possível!
ou a terra ou o chão a nuvem o corpo

mar de todos os seres

tempo e templo azul

fotografias falantes

ventos falantes
caras falantes
poesia sem conteúdo forma
planetas em todas as órbitas
do céu da boca

homem inventa homem só




mar da ponta do urubu

memória do não-lugar:
invenção nova, a ponta do urubu
da memória velha de outras pontas

antes do meu-outro, o outro

aquelas palavras
nossas palavras
humanamente impossíveis
ganhavam arrepio nos seus corpos

nenhuma vergonha na cara de voltar pra casa

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