-
as coisas são sempre coisas?
- não, as coisas se perdem das coisas que elas são.
- como assim?
- igual a mim e a você. quando a gente se abraça, se perde, mas continua abraçando.
- se perde do quê?
- do abraço, da gente, do mundo.
- você é muito romântica anos 20.
- eu só sou eu por que me perco. e se sou romântica demais para você, por que não experimentamos um final para este romance romântico demais anos 20?
- por que você é um lugar onde me perco também.
- e para você se perder é condição de ser?
- é.
- então somos iguais?
- só quando nos perdemos.
- e quando não?
- aí a gente só se parece.
- quer dizer que quando nos achamos parecemos com o que somos?
- isso.
- então a gente é, né?
- não, só parecemos ser.
- e ser, o que é?
- ser é des-parecer consigo.
- estou cansada destes seus des tudos. tudo seu é des.
- acho que é assim mesmo.
- assim como?
- acho que sou des-eu.
- que bobagem! o que você sabe fazer bem é juntar estas palavras velhas que escreve em mim.
- ainda bem que as palavras têm velhice. por que só quem tem velhice se lembra.
- e daí?
- daí que palavra sem memória não conta nada.
- mesmo assim gosto de você.
- por que?
- por que sei que me enganando está me dizendo a verdade. e verdade, está aqui no jornal, é importante. já pensou a gente no jornal?
- já. eu poderia ser uma notícia em branco.
- impossível.
- claro, se nem todo dia tenho notícia de mim como eu poderia virar notícia? fale mais de quando eu te engano.
- quando está me enganando está me dizendo a verdade. e verdade é importante para a gente ficar junto.
- quando é que te engano?
- quando diz que gosta de mim.
- e quando falo a verdade?
- fala a verdade quando diz que me des-ama.
- e você gosta de ser des-amada?
- prefiro a verdade de ser des-amada, por que se me des-ama é por que me ama, do que o engano de ser apenas alguma coisa que você diz gostar.
- e essa coisa de gostar e de amar é diferente é?
- é. hoje em dia, os que temem amar preferem dizer que somente gostam. mas gostar é o que parece e amar é o que é. daí eu preferir ser des-amada do que gostada.
- você é boba demais para mim.
- e você é esperto demais para mim.
- eu? nem sei o que é política. e quem acha que sabe alguma coisa por aí diz que tem opinião certa sobre política. até discute.
- o que é discutir?
- não sei ainda.
- esqueça a política e pense em nós.
- nós como?
- nessa coisa que a gente fez.
- que coisa?
- essa coisa de ficar se vendo todo dia.
- e daí? todo dia vejo o mundo e não fico me perguntando sobre ele.
- é que você não precisa.
- não preciso do que?
- de perguntas. você só precisa de respostas.
- e qual é a que você me dá?
- para qual pergunta?
- a pergunta não importa, só a resposta.
- então a resposta é que quando me perco te amo.
- e para quando me des-ama? qual a resposta?
- te acho.
- me acha num des-amar a mim?
- sim.
- e qual a pergunta para esta resposta: “que quando me des-ama, me acha.”
- a pergunta é não sei.
- e como uma pergunta pode ser não sei?
- é que perder-se é quando a pergunta vira não sei.
- prefere me des-amar e me achar ou me amar e se perder?
- prefiro os dois por que assim não paro de ser.
- de ser o que?
- de ser uma coisa que se perde da coisa que é.
- então se perder da coisa que se é é quando você me perde e me ama, e me encontra e me des-ama?
- é.
- mas qual dos perderes é mais importante? o perder-se da coisa que se é ou o perder-se de quando me ama?
- não sei. sei que perder-se é o que importa.
- por que?
- por que perder-se é condição para movimento. perder-se não é o contrário de achar-se. ninguém se acha e o movimento de achar-se é o perder-se. como se está sempre em movimento de perder-se, achar-se é utopia. entendeu?
- não.
- esta manhã, por exemplo, não se acha por que não se sabe manhã, como se a manhã fosse inominável a si mesma, mas acontece manhã por que deixa de ser manhã para ser outra coisa... em breve já não será mais de manhã. e é neste des-achar-se manhã que a manhã vira amanhã.
- e então a gente é igual a manhã?
- é.
- e amanhã?
- amanhã a gente será igual a gente.
- e quando é o quando de amanhã?
- um enquanto de depois.
- não, as coisas se perdem das coisas que elas são.
- como assim?
- igual a mim e a você. quando a gente se abraça, se perde, mas continua abraçando.
- se perde do quê?
- do abraço, da gente, do mundo.
- você é muito romântica anos 20.
- eu só sou eu por que me perco. e se sou romântica demais para você, por que não experimentamos um final para este romance romântico demais anos 20?
- por que você é um lugar onde me perco também.
- e para você se perder é condição de ser?
- é.
- então somos iguais?
- só quando nos perdemos.
- e quando não?
- aí a gente só se parece.
- quer dizer que quando nos achamos parecemos com o que somos?
- isso.
- então a gente é, né?
- não, só parecemos ser.
- e ser, o que é?
- ser é des-parecer consigo.
- estou cansada destes seus des tudos. tudo seu é des.
- acho que é assim mesmo.
- assim como?
- acho que sou des-eu.
- que bobagem! o que você sabe fazer bem é juntar estas palavras velhas que escreve em mim.
- ainda bem que as palavras têm velhice. por que só quem tem velhice se lembra.
- e daí?
- daí que palavra sem memória não conta nada.
- mesmo assim gosto de você.
- por que?
- por que sei que me enganando está me dizendo a verdade. e verdade, está aqui no jornal, é importante. já pensou a gente no jornal?
- já. eu poderia ser uma notícia em branco.
- impossível.
- claro, se nem todo dia tenho notícia de mim como eu poderia virar notícia? fale mais de quando eu te engano.
- quando está me enganando está me dizendo a verdade. e verdade é importante para a gente ficar junto.
- quando é que te engano?
- quando diz que gosta de mim.
- e quando falo a verdade?
- fala a verdade quando diz que me des-ama.
- e você gosta de ser des-amada?
- prefiro a verdade de ser des-amada, por que se me des-ama é por que me ama, do que o engano de ser apenas alguma coisa que você diz gostar.
- e essa coisa de gostar e de amar é diferente é?
- é. hoje em dia, os que temem amar preferem dizer que somente gostam. mas gostar é o que parece e amar é o que é. daí eu preferir ser des-amada do que gostada.
- você é boba demais para mim.
- e você é esperto demais para mim.
- eu? nem sei o que é política. e quem acha que sabe alguma coisa por aí diz que tem opinião certa sobre política. até discute.
- o que é discutir?
- não sei ainda.
- esqueça a política e pense em nós.
- nós como?
- nessa coisa que a gente fez.
- que coisa?
- essa coisa de ficar se vendo todo dia.
- e daí? todo dia vejo o mundo e não fico me perguntando sobre ele.
- é que você não precisa.
- não preciso do que?
- de perguntas. você só precisa de respostas.
- e qual é a que você me dá?
- para qual pergunta?
- a pergunta não importa, só a resposta.
- então a resposta é que quando me perco te amo.
- e para quando me des-ama? qual a resposta?
- te acho.
- me acha num des-amar a mim?
- sim.
- e qual a pergunta para esta resposta: “que quando me des-ama, me acha.”
- a pergunta é não sei.
- e como uma pergunta pode ser não sei?
- é que perder-se é quando a pergunta vira não sei.
- prefere me des-amar e me achar ou me amar e se perder?
- prefiro os dois por que assim não paro de ser.
- de ser o que?
- de ser uma coisa que se perde da coisa que é.
- então se perder da coisa que se é é quando você me perde e me ama, e me encontra e me des-ama?
- é.
- mas qual dos perderes é mais importante? o perder-se da coisa que se é ou o perder-se de quando me ama?
- não sei. sei que perder-se é o que importa.
- por que?
- por que perder-se é condição para movimento. perder-se não é o contrário de achar-se. ninguém se acha e o movimento de achar-se é o perder-se. como se está sempre em movimento de perder-se, achar-se é utopia. entendeu?
- não.
- esta manhã, por exemplo, não se acha por que não se sabe manhã, como se a manhã fosse inominável a si mesma, mas acontece manhã por que deixa de ser manhã para ser outra coisa... em breve já não será mais de manhã. e é neste des-achar-se manhã que a manhã vira amanhã.
- e então a gente é igual a manhã?
- é.
- e amanhã?
- amanhã a gente será igual a gente.
- e quando é o quando de amanhã?
- um enquanto de depois.
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