sem norte é aquela nuvem
sem norte é aquela colheita
sem norte é a noite
a noite que engravida de seus claros
silenciosa
e que poesia não diz
palavra não diz
sem se dizer se diz e não diz
quando uma vida não basta
sem norte dirigir cheganças
quem sempre chega é de novo
o novo sempre
que não é velho pelo sempre
que sempre novo, é
sempre novo é norte e nuvem
que não é velho pelo novo
que é sul
naquela manhã raios dormidos
tingidos e mãos
lugar de coração era todos os lugares
e em norte havia sem norte
no sul havia sem sul
até pra marinheiro
amigo das cores
rumo adentro rumo afora
de deu e déu poeta vagabundo
outra vez mundo
outra vez rumo
outras vezes manhãs e cânticos
é vezes e nuvens
ver de nuvem
como é?
não poesia para ser norte
poesia para deixar de ser
ser bêbado encanto e tatear
tatear de lamas a invisíveis
tatear sorrisos tantos
dirigir não ser
abrir e ser
como a manhã depois da noite
que não é norte
que é manhã sem ser
que é norte sem por que
um norte
que é ser s-em ser
nortes mais horizontes que cheganças
as cheganças que são como festas
de tantos nortes
ondes são nortes nas ondas
nortes são ondas em ondes
a poesia desencaminha
e é estar a caminho
de não se ficar
de não se mandar
de não de se e ser
estar a caminho é ser humano
sem norte nem forte
na presença serena de nada
aonde se desfaz humano
e começam nortes e poesias
seus sem ondes
sem ondas
sem nortes
sem quases que são
ou noites ou dias
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