Costumava sentar embaixo da placa da Rua Urbino Viana
para tentar virar nuvem ou saborear o sem sentido nos soluços do tempo e no
respirar da alma. Esperava lá, às vezes, que me levantasse do chão a vontade do
futuro ou um silvo surdo de qualquer apito ou qualquer mão de papel escrita com
poesia;e assumo: já fiz fogueira de saudação para a rua Urbino Viana.
Lá – de fato – o tempo era estático e os pássaros falantes em bocas que voavam e que gritavam epifanias vadias e desajuizadas. Suponho que os pássaros não deixarão, para mim, de cantar, mesmo que só em relâmpago de memória ou mesmo que só em sonho.
Agora,na Urbino Viana, vejo o tempo;o mesmo para os relógios,mas não para as utopias;o mesmo para os ponteiros,mas não para o olhar.Vejo tempo morto balançar folhas vivas que esbarram numa saudade rotineira e num crônico silêncio dum curto vácuo de mudez da cidade.
[que sinto e que escuto permanentemente
sobre o estar lá e não poder ser o lá?]
Deixo que me olhem sem compreensão os passantes apressados(moças, rapazes, pernas exaustas, sorrisos embaralhados).Permito que des-compreendam o que faz ali um rapaz sentado na calçada da Urbino Viana num pôr do sol de verão ao beijar a face do passado como quem beija o filho não vindo,ao tocar o passado desconhecendo suas rugas,ao pintar um “era uma vez” seco em tinta fresca de lembrança.
E agora me chega um tapa de vento:o vento da Urbino Viana não é o mesmo de antes nem o corpo que ele parece lamber sem timidez.Mas talvez sejam iguais os cheiros e os abraços; não é mais o mesmo vento que me fazia acreditar no sorriso do mundo previsto para o futuro e compromissado com as onirices.
Aviões?
Sim – Na Urbino Viana também há aviões.E agora estou sentado no ar,levitando e transitando entre plantio e colheita.
Plantei saudade na Urbino Viana, e colhi palavra na Urbino Viana.
E daí que seja a vida um desmaio de intenções por entre destinos?
E que se arquitete de tudo: as arquiteturas das bobagens constroem vidas dentro de outras.
Lá – de fato – o tempo era estático e os pássaros falantes em bocas que voavam e que gritavam epifanias vadias e desajuizadas. Suponho que os pássaros não deixarão, para mim, de cantar, mesmo que só em relâmpago de memória ou mesmo que só em sonho.
Agora,na Urbino Viana, vejo o tempo;o mesmo para os relógios,mas não para as utopias;o mesmo para os ponteiros,mas não para o olhar.Vejo tempo morto balançar folhas vivas que esbarram numa saudade rotineira e num crônico silêncio dum curto vácuo de mudez da cidade.
[que sinto e que escuto permanentemente
sobre o estar lá e não poder ser o lá?]
Deixo que me olhem sem compreensão os passantes apressados(moças, rapazes, pernas exaustas, sorrisos embaralhados).Permito que des-compreendam o que faz ali um rapaz sentado na calçada da Urbino Viana num pôr do sol de verão ao beijar a face do passado como quem beija o filho não vindo,ao tocar o passado desconhecendo suas rugas,ao pintar um “era uma vez” seco em tinta fresca de lembrança.
E agora me chega um tapa de vento:o vento da Urbino Viana não é o mesmo de antes nem o corpo que ele parece lamber sem timidez.Mas talvez sejam iguais os cheiros e os abraços; não é mais o mesmo vento que me fazia acreditar no sorriso do mundo previsto para o futuro e compromissado com as onirices.
Aviões?
Sim – Na Urbino Viana também há aviões.E agora estou sentado no ar,levitando e transitando entre plantio e colheita.
Plantei saudade na Urbino Viana, e colhi palavra na Urbino Viana.
E daí que seja a vida um desmaio de intenções por entre destinos?
E que se arquitete de tudo: as arquiteturas das bobagens constroem vidas dentro de outras.
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