o mar não se afoga em mar de nada
o mar não nada
é mar só
não está só
vê-se navio entre seus brancos-foscos
e a areia e seus cheiros
o mar que não está só
não por que tem a mim que o observo
mas que tem coisas suas com ele:
esse modo de ser-mar-ele
este mar que tem arqueologias
e arquiteturas de vento
que tem uma boca imensa e aberta
soprando na minha
que ocupa o seu tempo entre secar e
molhar
entre caos e paciência
que de cima – daquele avião –
se emudece junto ao que é da terra,
parecendo cessar sua conversa com
aquelas pedras
que de dentro embalsama o corpo numa
temperatura
lambe, penetra e avança sexo adentro
que é mundo dentro de mundo
um recorte real-azul
a própria noção de intermitência
contínua
que num dia chuvoso faz-se belo sem
depender do sol
nem de mim
e que se tiver sol estará-lá de uma
forma ou de outra
o mar que se vai se contando a cada
estampido
movimento inteiro que se revela em cada
porção de mar
que anda sem nadar
que nada sem andar
e que finalmente disse:
o homem precisa ser menos homem
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