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Pedaço de carta

Também vejo teus lábios no escuro
e pra eles desejo sibilo,
soprando beijo em sigilo
pro futuro e em silêncio

E mesmo que insistam os ponteiros
em mil demoras contando,
sonho horas ao te ver sonhando
nos canteiros da imaginação

E depois se incertos olhos teus
dobrarem reféns da cidade a zunir,
farei um verso pra te dizer a dormir
nos breus de por detrás do teu olhar

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