E agora aqueles nomes que quis apagar da história a
recontam para mim. Talvez eles tenham gritado tanto até eu mesmo duvidar do meu
próprio silencio;e continuaram gritando, tais nomes, já não sei mais por
que(são insistentes?)
Permaneceram no grito e sei que agora posso ouvi-los com clareza, embora duvide, como duvidei do meu silêncio, de tais gritos. E não é preciso esforço algum para reconhecer um por um na roda dos significados des-cientes de si. São eles como coisas e a culpa das coisas terem um nome não é das coisas, absolutamente não. De quem é a culpa pelo nome? De quem?
Então, como nada me dizem além de que o culpado por tais nomes de tais coisas sou eu, ponho-me a ditar assim qualquer coisa de diálogos por mera resignação...E peço perdão de dentro para fora a tais coisas por serem desprovidas da compreensão acerca de seus próprios nomes e histórias.
Não me perguntem por que, mas intui – por me chegar uma luz fria, por me deixar esta sem pele me fazendo sentir que entre mim e o mundo nada havia senão fronteira alguma – que cada batida do martelo no prego era um beijo; e depois que se beijavam por que se amavam. Amavam-se quando as quatro luas vinham juntas ao mesmo céu; reunião de luas ou simplesmente zanga astral ou simplesmente insanidade ou preguiça da ordem ou simplesmente poesia(mas é segredo, segredo, segredo).
E se fazia macio o beijo a cada martelada, e a cada martelada se fazia macia a idéia do beijo como idéia de toque – beijos de aço, abraços feitos de espasmos e reflexos entre peles refletoras como um olho só;um olho que reflete tudo que vê. E se amavam neste quando que dirão absurdo(os que dizem do absurdo absurdos desconhecem inteiras as virtudes da loucura)
Depois, quando cessaram as imagens entropicamente revertidas pelo zombeteiro mor das pobres moléculas(dirão: é Deus!;eu nada direi), o martelo notou que a cada beijo que dava no prego este perdia um pedaço e o prego, pouco a pouco, ia passando para o fundo de um lugar que o martelo não era capaz de penetrar – o prego ia indo, finalmente, para profundidades que o martelo não alcançava por que este era desajeitado demais para penetrar por tais caminhos,tocando a pele de superfícies, lambendo tudo. O contato do prego era inteiro, o do martelo pontual.
Duvidou o martelo do seu amor pelo prego; a cada beijo um pedaço do prego ele tirava, mas a cada beijo no prego o amor só crescia de tamanho, mesmo que a cada toque ele sugerisse em silêncio que o prego se fosse.
O martelo achava ter enlouquecido por que ao amar demais o prego lhe tirava de seus domínios, o sugeria fuga.
E continuando todos os dias para além do que é urbano a se amarem, questionaram-se acerca de tal amor.
O prego iniciava a sua jornada para o fundo e desta maneira iria, por um bom tempo(talvez eterno), não ver mais o martelo outra vez e imaginou: o martelo continua a me amar por saber que a cada beijo eu adentro uma nova camada da vida – assim concluía: quanto mais o prego me ama, mais deseja que eu ame por outros lugares que ele jamais conhecerá.
Já o martelo compreendia que a cada beijo no prego ele aprendia a ser mais certeiro em seus beijos e por isso em tudo que era do amor. E achou: o prego continua a me amar, mesmo indo para o fundo a cada beijo, por que compreende que me torna mais hábil e experiente para o amor a cada beijo nosso. E desta forma continuava a amar o prego e a cada pedaço dele que se ia, acreditava que o prego estava te ensinando, ainda, a amar cada pedaço seu mais e melhor.
E assim concluiu-se da transa dos nomes sem culpa de si mesmos:para o prego, o martelo estava lhe ensinando a amar mais por outras profundidades menos superficiais; para o martelo, o prego ao te amar a cada beijo, lhe ensinava um amor mais seguro, mais firme e mais certeiro.
Foram assim até o dia no qual o prego finalmente se perdeu inteiro por entre a textura de um chão voador – ambos se viram sozinhos, porém satisfeitos pelo amor imenso de cada beijo; o martelo por ter amado o prego sabia: disse-lhe sobre o amor para além de mim, para lugares em que nunca estarei; o prego, infestado de satisfação concluiu: contei-lhe que para amar no futuro mais e melhor precisará de uma pontaria firme e cheia de certeza, certeza numa nuvem, até.
E o claro feixe dum desfecho claro desvelou o mistério: liberdade tem boca, grita para ser livre e sorri – embora cale, em silêncio, a saudade.
Para V. V.
Permaneceram no grito e sei que agora posso ouvi-los com clareza, embora duvide, como duvidei do meu silêncio, de tais gritos. E não é preciso esforço algum para reconhecer um por um na roda dos significados des-cientes de si. São eles como coisas e a culpa das coisas terem um nome não é das coisas, absolutamente não. De quem é a culpa pelo nome? De quem?
Então, como nada me dizem além de que o culpado por tais nomes de tais coisas sou eu, ponho-me a ditar assim qualquer coisa de diálogos por mera resignação...E peço perdão de dentro para fora a tais coisas por serem desprovidas da compreensão acerca de seus próprios nomes e histórias.
Não me perguntem por que, mas intui – por me chegar uma luz fria, por me deixar esta sem pele me fazendo sentir que entre mim e o mundo nada havia senão fronteira alguma – que cada batida do martelo no prego era um beijo; e depois que se beijavam por que se amavam. Amavam-se quando as quatro luas vinham juntas ao mesmo céu; reunião de luas ou simplesmente zanga astral ou simplesmente insanidade ou preguiça da ordem ou simplesmente poesia(mas é segredo, segredo, segredo).
E se fazia macio o beijo a cada martelada, e a cada martelada se fazia macia a idéia do beijo como idéia de toque – beijos de aço, abraços feitos de espasmos e reflexos entre peles refletoras como um olho só;um olho que reflete tudo que vê. E se amavam neste quando que dirão absurdo(os que dizem do absurdo absurdos desconhecem inteiras as virtudes da loucura)
Depois, quando cessaram as imagens entropicamente revertidas pelo zombeteiro mor das pobres moléculas(dirão: é Deus!;eu nada direi), o martelo notou que a cada beijo que dava no prego este perdia um pedaço e o prego, pouco a pouco, ia passando para o fundo de um lugar que o martelo não era capaz de penetrar – o prego ia indo, finalmente, para profundidades que o martelo não alcançava por que este era desajeitado demais para penetrar por tais caminhos,tocando a pele de superfícies, lambendo tudo. O contato do prego era inteiro, o do martelo pontual.
Duvidou o martelo do seu amor pelo prego; a cada beijo um pedaço do prego ele tirava, mas a cada beijo no prego o amor só crescia de tamanho, mesmo que a cada toque ele sugerisse em silêncio que o prego se fosse.
O martelo achava ter enlouquecido por que ao amar demais o prego lhe tirava de seus domínios, o sugeria fuga.
E continuando todos os dias para além do que é urbano a se amarem, questionaram-se acerca de tal amor.
O prego iniciava a sua jornada para o fundo e desta maneira iria, por um bom tempo(talvez eterno), não ver mais o martelo outra vez e imaginou: o martelo continua a me amar por saber que a cada beijo eu adentro uma nova camada da vida – assim concluía: quanto mais o prego me ama, mais deseja que eu ame por outros lugares que ele jamais conhecerá.
Já o martelo compreendia que a cada beijo no prego ele aprendia a ser mais certeiro em seus beijos e por isso em tudo que era do amor. E achou: o prego continua a me amar, mesmo indo para o fundo a cada beijo, por que compreende que me torna mais hábil e experiente para o amor a cada beijo nosso. E desta forma continuava a amar o prego e a cada pedaço dele que se ia, acreditava que o prego estava te ensinando, ainda, a amar cada pedaço seu mais e melhor.
E assim concluiu-se da transa dos nomes sem culpa de si mesmos:para o prego, o martelo estava lhe ensinando a amar mais por outras profundidades menos superficiais; para o martelo, o prego ao te amar a cada beijo, lhe ensinava um amor mais seguro, mais firme e mais certeiro.
Foram assim até o dia no qual o prego finalmente se perdeu inteiro por entre a textura de um chão voador – ambos se viram sozinhos, porém satisfeitos pelo amor imenso de cada beijo; o martelo por ter amado o prego sabia: disse-lhe sobre o amor para além de mim, para lugares em que nunca estarei; o prego, infestado de satisfação concluiu: contei-lhe que para amar no futuro mais e melhor precisará de uma pontaria firme e cheia de certeza, certeza numa nuvem, até.
E o claro feixe dum desfecho claro desvelou o mistério: liberdade tem boca, grita para ser livre e sorri – embora cale, em silêncio, a saudade.
Para V. V.
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