os olhos de vovô não estão mais
vermelhos
úmidos ou esbranquiçados
pálidos
não vêem nada além do que eu mesmo vejo
a guerra
a esquina
passeios de manhã
ausência cultivada
um projeto de assemelhar-se comigo
aqueles olhos vivem pelos meus
lembram pelos meus
resmungam pelos meus
é um silêncio dos meus
já que – a alguns palmos abaixo da terra
–
encontram-se soterrados de duração
imóveis, cerrados ao tempo
os meus – participantes do real –
refletem o que não existe mais
por exemplo
vovô
e dentro desta manhã ensolarada,
até
onde a vida vê?
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