céu borrado na tarde de novembro
tarde que tomba no canto daquele muro do
jardim
implacável e diminuta
perceptível em peso ao concreto
e que o sentimento
seja de fato ou de futuro
não anoiteça
que esta tarde - dentro do sentimento -
dure eterna
sem lua ou amantes ou relógio ou nudez
que dure fora de si
externa inclusive a este céu borrado de
cinza rosa branco azul
para além do abismo finitude
durando
[por
que certamente é artístico, mas nada inventivo, pensar que na arte não somente
cabe o impossível como também a sua própria inexistência, defronte a
des-invenção do mundo ou daquela criança mutilada por uma revolução via
internet ou mesmo da possível erudita absurda beleza de um Goethe]
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