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Coxias do mundo

Um sextante ao vento,
lua minguante estrada adentro,
chiado de mata de serração e serra,
redemoinho de miragem e terra,
estrela dos seis sentidos
e sete mares de vontade de chegar
pra ver caxangá de areia branca;

quatro quadrantes pro mesmo mundo,
brejos, pirambeiras, caxambus,
tecidos, chapéus, fome de Sul,
cavalo caxingó que parecia boi
entre tempo sem espaço passo a passo,
sem cansaço lembrando do paiol
e de xaréu boiando ilusão de sal
num lombo cabiúna cheirando a Sol
no areal das Almas mansas;

brilho cadente à mercê da vida,
incidente num astrolábio austral,
um negócio pra ganhar na estância do oiti,
meridianos inteiros de jornadas
entre buritis e cantigas de folhas,
caingangues nos itororós e torós de azar e sorte,
medo e lembrança anônima da balalaica que viu,
meandros intermitentes e mil fios de frios;

entre cadências e latências de chãos,
nós firmes nas cangas e balsas pendulares,
qualquer certeza de ganhar na palma da mão
oito mapas de minas,
jardins de cinzas e taipas de palmeiras,
sede de cocais e instrumento de menestrel,
trocando mangueirões por firmamentos,
e por vezes violentos guarás,
e por vezes guaranás e tapuias no putirão,
nas margens esquerdas dos mangues e xingus;

cidades feito miragens,
poros suando vidas,
morte cheirando vida,
cheiro de qualquer eucalipto descabido pro nariz,
a um triz de um cerco de circo e de palhaços com seus carás,
Fortalezas, sertões, pantanais, Cearás,
ranchos dos oleiros cegos e campeiros amigos,
amigos para nove vidas,
inimigos para nunca mais,
dez lemes para os faróis ou imensidão de incerteza nas coxias do mundo;

e com um lerê-lará
lerê-lará
lerê-lará enquanto ia.

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