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Breve é o dia, longa é a vida

Para Lia



enquanto seu corpo,
maneiras
e as pessoas dentro da sua
se misturavam às nuvens

a lembrança se pôs ao espelho e indagou:

quando me verei esquecimento?

lembrança já pronta para embrulho
mais vertigem do que corpo
mais des-acostumar-se do que maneira
mais des-pessoa do que tantas

enquanto os sons dos motores entravam pela janela do meu apartamento
degolando o pescoço
estilhaçando ossos num enquanto vestido de átimo

tocar na ausência tendo que abraçá-la
ao invés de nada

imaginar os processos de estranhamento de mim e do mundo
(tal como pôr lembranças em espelhos e pessoas na pessoa
estranhamentos de frios e resmungos
tal como sentar numa lata de aço e desaparecer
ou como fazer um poema mudo fluente na Língua do des-permane-sendo)

permaneceu, afinal,
depois de já ter acontecido o poema entre dedos e des-razões

naquela tarde inerte de nuvens

um adiante:

da sala onde penduro artes-fatos
depois do Itaigara
de Nazaré
da Barra
adiante do meu corpo


onde oscilava o seu
dormindo
vibrando
na noite
no lençol
na cama
no átomo

resmungava ali o seu cor-pó

adiante de tudo que se poderia ver desta janela
ou do até onde olhar se via sem espelho

mas não depois do abraço
seu
do meu
do mundo

mas não depois da varanda que
antes de esquecer
ventava contigo

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