Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

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Tempo amanhã

horizontes são ondes
nas ondas sibilos
uns ilo
dois quilo
tais bens e au sss

marinheiro
marinheiro
com dois paus duas canoas
em todos
seus mares marés
em todas
suas luas sete fases

se arte existe por que vida não basta
vida inda acaba por que não gasta
por que
espelhos
são sãos
seus retoques vestidos
nunca mais
foguetes cadentes

horizontes são quandos
estares em defronte
ser fronte
isso quer dizer
frente

numa palavra que nada quer fazer
um mundo sendo mundo
fazer é errar
é ser enquantos
(goles meninas fubás)

chuvas atlânticas
cargueiros
pacifíndico





Viagem

Pelos ombros aquelas estradas
Em teus em meios os fios
Estepes
Ombros imponderáveis
Agora é céu ser tão
Atlas atolado alado deão
Um dado e três
Montanhas

Dois amores na praia
Quaisquer mundos
Ser que tudo há e bebe
O vento sempre em despedida
Torna a soprar-se encontro
Ou vida
Naufrágio nos frades
Corações outros portos
Sem vistas
Todas as terras
Nenhuma rota
Mundos aqui
Em ir

Sem porquê é sendo o mundo
Por que deu na rádio
Sem que desse

Em uma rua habita nua a rua
Pelas cabeças o que há?
Samba
Carnavais

Iemanjá

grande mãe de todas as vidas
salve salve seu dia de todos os dias
hoje e sempre vive em suas águas as alegrias
dum mundo caduco

rainha de suas luas e colares

salve salve infinitas cores
rios ventres sais entres vais
águas e águas de todos e todas
correm em nestes mundos em preces navegáveis
habitam a terra

a benção divindade sã

tudo é refaz e anima em seus seres de tudo
de chuvas e dias e infâncias
bebo teus mares no sabor de paciência e urubu
só me leves quando quiseres

eis aí os teus dias em todas as fés

eis aí o seu corpo presente de gota e invisível
que a palavra não alcança
e que nada está além

com todos os seus peixes experimentar

Chuvas

Para G.


o que estar não estar
que é não é

que há não é não e sim
o
o que há
faz possível um
que é
misteriosos uns
misteriosos hás

o que tempo marca não é o que é tempo
não é o que é marca
tempo e palavra ressoam implacáveis e possíveis
contam e cantam a si
sem terem na ponta da voz algum algo

pois dentro ou fora de algo
há um si
e no si é um salto
dentro fora fora dentro

assim como naquele se - 
de já ser e não ser sido
de na ser e jaz ter ido -
habita qualquer libertação anônima
salvando por enquanto gotas

anonimato da felicidade salvou tristeza anunciada
em jornais anúncios
em cartazes aqueles a-moras
por lençóis limpas as cortinas

sentimentos do mundo sem licenças sem mundos
inventavam camas e estrelas
entre cidades bueiros de luz
alegrias tornando-se pontes e dentes
e abraços seus ondes

e chuvas suas chuvas

Nuvem habitante é

pelas nuvens 
inércias imponderáveis
outros tantos passarinhos e micos
outras tantas vidas
habitarão estes seres aqueles outros
nuvens?

nós daqui ainda seguimos duvidando de tudo

ou seríamos todos os tempos perdidos da humanidade?

um livro

dois
três
infinitos reais
reais

pelas nuvens

ando-rinha

no mistério do ecoar

ressoa em aurora permanente
o que nunca ecoou
o que há de ecoar

no muro da esquina é assim

na flor é assim
na galáxia é assim?

no é não mora nada nem algo

é que habita não é
não é que habita é
nos jás e aindas
é é que é habitante

mundo deserto de poesia

é no deserto que habita poesia
em desertos todos os mundos habitantes de poesia
e da manhã a vir
quantas nuvens há diante de nós agora?
quantas técnicas para uma só terra?

Fine

aonde é o final da estrela?
nela
no olho
no céu?

estrela exausta e satisfeita de seu final

o seu brilho!
outra estrela
outro olho
outro céu

uma mulher debruçada na cama vê a lua ir embora

e o sol amansar os corações
canta uma canção de ouvido
conta mil estrelas
pra me perguntar aonde é o final do coração
neles
nas estrelas
no sangue?

aliso o seu cabelo e vou dormir

Deu no jornal

uma ilha afundou no pacífico
o mundo é um arrecife astral
o "como algo ao invés de nada?"

uma estrela falou

uma cabeça rolou
ralou
o negócio

as caras pálidas de susto

a vida dos mesquinhos e soberbos
na boca dos outros as fofocas
os cigarros dos festins

o cargueiro virou

inventaram o enfnokengwnvpw
o mundo desvirou o virado dado
o homem enlouqueceu
fusos se inverteram às cinco horas
amores in-findus

raiou já o dia

os bêbados não voltaram para casa
fulana casou com beltrana
projetos de sucesso mais bem sucedidos
os filhos reviam suas mães
os filhos iriam com os pais

a professora desapareceu

hoje é dia do senhor do bonfim
a folha de são paulo faliu
a dor deste mundo!

Deu na rádio

ao meio entre tarde e entardecer
saudade isolada na chuva dentro do atlântico ao norte
mais tempestades

daqui dragão flamejante cidade
explodem saudades e esquinas

entre meios
que já não há é amor
entre mar e terra
inúteis paisagens de saudades
como beijos dos amores da tarde
puros mares
palhas seus sexos
espalhares em raios

deu na rádio
os navegantes trazem estrelas do mar
na praia de amaralina avista-se o que não se avista
já de dentro d'água
atlânticos amores isolados na praia
e montes de areias e palavras

amontoadas entre tratores e homens

Ano novo

um bêbado na rua diz que é noite de ano novo
mais ou gole velho
outro primeiro que ovo

outra cidade estará?

outras chuvas
corpos e copos
naturezas
outros ombros entre os meus
os mundos

existência solitária sempre nova

solidária ao nada ou a qualquer cercania de ser

movidas estão em paciência gravidade

na estrela não é ano novo
é ela toda nova
estrela nova e outra sempre

nós daqui já bêbados de real

é que dizemos ver o invisível
as durações