o que os raios de ontem cortaram?
os ecos
as luzes
os tempos
naquele jardim onde nunca se foi: nuvens
as de ontem pintaram a noite de água
água de luz
já os silêncios eram dos pensamentos
amantes da chuva
do ano novo
Versão para a web no fim da página para músicas e clipes
Monografia
Boa tarde, amigos e
amigas. A escrita dessa monografia contou com a contribuição de muitos de
vocês. Por isso, também em sinal de agradecimento, resolvi publicá-la aqui para
apreciações e considerações. Espero que consigam baixar o link, em caso
negativo me comuniquem.
http://pt.slideshare.net/TPLMS0/at-1-42319539/1
A RELAÇÃO HOMEM E NATUREZA SOB A LUZ DAS ALIENAÇÕES DA
ERA MODERNA DESCRITAS POR HANNAH ARENDT
RESUMO
Neste trabalho busca-se
refletir o sentido e o modo da relação dos seres humanos com a natureza sob a
luz das alienações humanas em relação à Terra e ao mundo, descritas por Hannah
Arendt, em sua obra A condição humana. O intento fundamental deste
trabalho consiste em mostrar como estas alienações – que se constituem numa
dupla fuga: do homem (que está na Terra) para o universo e do mundo para dentro
do homem – podem iluminar a compreensão acerca do modo com o qual os seres
humanos vivenciam a sua existência mortal, natural e terrena, se posicionando
em relação à Terra, à sua natureza e ao seu próprio mundo. No que concerne à
alienação humana em relação à Terra e à natureza terrena, busca-se
relacioná-la, em primeiro lugar, à compreensão da técnica e da tecnologia, no
mundo globalizado, com o controle, manipulação e mapeamento da esfera terrestre
e de sua natureza; em outro momento busca-se ligar tal alienação em relação à
Terra e à natureza terrena a um ideal cientifico que passou a desencadear na
natureza terrena fenômenos que lhe são externos, reprocessando e ameaçando os
processos naturais. Já no que diz respeito à alienação do mundo, deseja-se
mostrar, em primeiro lugar, que ela se liga diretamente à ascensão de uma sociedade
industrial e produtivista e à perda da noção de um mundo público comum, o que
acontece na esteira de um movimento que significa a relação homem e natureza do
ponto de vista da disponibilidade, da exploração e da poluição de seus espaços;
em outro momento, irá se intentar relacionar a alienação humana em relação ao
mundo com o sentido da relação homem e natureza, na medida em que esta
alienação acontece ao custo de os seres humanos compreenderem o real e a
realidade que os circundam a partir de um traço de funcionalidade e
objetificação, o que também incide na natureza, que passa a ser significada
como sistema ou objeto aos quais os homens, enquanto animais racionais,
arvoram-se em decifrar, controlar e prever, ancorados exclusivamente na
existência de seus processos mentais subjetivos e introspectivos.
Beiras de tempos
o que se refaz
esvai
apraz
reluz em um rochedo o que vibra à letra do tempo
em um mar à meia noite atlântica
sopra o mesmo vento daqui - face e continente de mar?
o que se es vai
num estampido de surgir e não surgir
de vidas
de ares
de seres
assim é o mar
suas profundas orquestras ancestrais
e a vida: ancestralidade ao tempo ao vento ao verbo
à beiras de ondas e abraços
esvai
apraz
reluz em um rochedo o que vibra à letra do tempo
em um mar à meia noite atlântica
sopra o mesmo vento daqui - face e continente de mar?
o que se es vai
num estampido de surgir e não surgir
de vidas
de ares
de seres
assim é o mar
suas profundas orquestras ancestrais
e a vida: ancestralidade ao tempo ao vento ao verbo
à beiras de ondas e abraços
Basta um
um dia nascerão alpes sobre as peles
e dos dias jorrarão incontáveis
só um dia
por onde brota tudo e escorre tudo
bastará ao mundo para que seja um só alpe
por infinitas planícies de beiras
haverá peles inundando alpes
e bichos e horas e nadas
inundando peles
e dos dias jorrarão incontáveis
só um dia
por onde brota tudo e escorre tudo
bastará ao mundo para que seja um só alpe
por infinitas planícies de beiras
haverá peles inundando alpes
e bichos e horas e nadas
inundando peles
Entre
permanente o corpo
permanentemente adentra
o oco
e sente o ente até o nó
e denta o dente ao pó
permanentente o corpo
adensa o que não se entra
e dança e canta até um poente
e anda é onça desde batente
um corpo não é o bastante
é tanto e é ante
do que não se vê adiante
os corpos em fins
todos amantes
permanentemente adentra
o oco
e sente o ente até o nó
e denta o dente ao pó
permanentente o corpo
adensa o que não se entra
e dança e canta até um poente
e anda é onça desde batente
um corpo não é o bastante
é tanto e é ante
do que não se vê adiante
os corpos em fins
todos amantes
O que tem pra hoje
lacunas em gelos
as flores tombadas no muro
a tarde pesava seu en tardecer
as nuvens aladas no escuro
chegou uma carta para alguém
ao ocaso já o sol desaparecido
as flores em nuvens no futuro
o cargueiro sairia com ou sem lua
pássaros iriam até a lua caminhando
a luta incessante de repousos e movimentos
são outros ventos?
são outras pontes?
são outros delírios?
o que é chuva?
lambendo a nuvem o possível voo de um mistério
sempre a se
sempres ao se beijar
as flores tombadas no muro
a tarde pesava seu en tardecer
as nuvens aladas no escuro
chegou uma carta para alguém
ao ocaso já o sol desaparecido
as flores em nuvens no futuro
o cargueiro sairia com ou sem lua
pássaros iriam até a lua caminhando
a luta incessante de repousos e movimentos
são outros ventos?
são outras pontes?
são outros delírios?
o que é chuva?
lambendo a nuvem o possível voo de um mistério
sempre a se
sempres ao se beijar
A fundado
em barulho de mar
barulho salgado
marulho
marulho
um só vento aproado
a lua ficaria nova por estes dias
originariam os amores
o que liquefeito
desfeito num mergulho
barulho
barulho
de cor
barulho salgado
marulho
marulho
um só vento aproado
a lua ficaria nova por estes dias
originariam os amores
o que liquefeito
desfeito num mergulho
barulho
barulho
de cor
Venturas
o ocaso do oco
do vaso
no caso
é acaso do ovo
no verso
achado
o que é esse mesmo a esmo
a não ser esta lesma mesma?
um só ato
do fato
do tato
do gato
listrado?
um só aço
ilustrado
na beira
da leira
assado
do vaso
no caso
é acaso do ovo
no verso
achado
o que é esse mesmo a esmo
a não ser esta lesma mesma?
um só ato
do fato
do tato
do gato
listrado?
um só aço
ilustrado
na beira
da leira
assado
Surgir
há bonança em olhos salgados
mirando incontíveis às íres
contornando tempestades aos galopes da luz
há coisa ao leste da bonança
que quer afogar o que salva
pois pelas superfícies seus fundos
em cada olhar os tais mundos
há esperanças como estrelas
raízes do céu e ancestrais de solidões habituais
há alegrias e cóleras em tudo e em nada
há em corpos de esperança
gestos do inesperado
há em olhos já secados
tempestades chovendo olhares nas bonanças
o que não está
pois já esteve ou pois estará já
é o que se insurge entre caminhar
navegar tempestade e bonança
solidão e esperança
além dos olhos
além do mar
mirando incontíveis às íres
contornando tempestades aos galopes da luz
há coisa ao leste da bonança
que quer afogar o que salva
pois pelas superfícies seus fundos
em cada olhar os tais mundos
há esperanças como estrelas
raízes do céu e ancestrais de solidões habituais
há alegrias e cóleras em tudo e em nada
há em corpos de esperança
gestos do inesperado
há em olhos já secados
tempestades chovendo olhares nas bonanças
o que não está
pois já esteve ou pois estará já
é o que se insurge entre caminhar
navegar tempestade e bonança
solidão e esperança
além dos olhos
além do mar
Desterro
vento sul
sopra espaço de luz
aço de nuvem
bravo de breve
neve de tanto
intento leve
lava
rima escaça
esbugalha manhã
ímã maçã
quem e em se é si
o que venta é a rosa
e x
outras pernas trovas
outras penas
ovas
voando sem voar
é sentir
correndo rã
a toada
é toalha
a servir
pra cantar
seguindo o que não tem caminho
morando num não ninho
se não é
o avesso do gostar
só si é
e nada mais
os outros dos tus
é outeiro
são ta tus
é festa de amar
sopra espaço de luz
aço de nuvem
bravo de breve
neve de tanto
intento leve
lava
rima escaça
esbugalha manhã
ímã maçã
quem e em se é si
o que venta é a rosa
e x
outras pernas trovas
outras penas
ovas
voando sem voar
é sentir
correndo rã
a toada
é toalha
a servir
pra cantar
seguindo o que não tem caminho
morando num não ninho
se não é
o avesso do gostar
só si é
e nada mais
os outros dos tus
é outeiro
são ta tus
é festa de amar
A hora
sem projetos objetos e mãos
os fazeres e os balões
o revés e a dor
trovadores de nada
a tristeza se acumula numa estrela
também mar sorridente
pulsa
um soneto que não presta
como amor
inventação da brincadeira
a beira e a bobagem
coragem
aqueles que agem
ao calarem mudez sólida
os fazeres e os balões
o revés e a dor
trovadores de nada
a tristeza se acumula numa estrela
também mar sorridente
pulsa
um soneto que não presta
como amor
inventação da brincadeira
a beira e a bobagem
coragem
aqueles que agem
ao calarem mudez sólida
Paragens
quantos tigres em um olho
sem quando tantos os lagos
é e há vida
lados tontos de sua fronte amordaçada
quantas libertações pelas mil patas
de nuvens
em outros céus incontáveis transbordos
de peles e constelações
desvairadas luas eram como sal
em açúcar ou caça
fel ou vinhos
em tuas plantas
habitar é deixar
sem quando tantos os lagos
é e há vida
lados tontos de sua fronte amordaçada
quantas libertações pelas mil patas
de nuvens
em outros céus incontáveis transbordos
de peles e constelações
desvairadas luas eram como sal
em açúcar ou caça
fel ou vinhos
em tuas plantas
habitar é deixar
Manhã e noite
manhãs entrelaçadas dentre outras
feito sexos ao vento
ou entranhas de horizontes
manhãs reluzindo dos escuros
de um ventre põe tuas sombras
em bailes
em caules
de flores
noites anunciam suas planícies de estampidos de grilos
enquanto amores e horrores curvam
terras raízes galáxias
noites do pó ao pé
lambendo indizível preto lunar de chumbo
anoitecendo sementes ou inefáveis
e favos de solidões
(solidão de um inteiro continente)
dia é noite é manhã
em vielas de gotas e espaços
luminoescuro
lâmina de ouro de preto
verdescuro de sol inteiro
noite infinda no corpo da manhã
manhã inteira no oco da noite
assim vagam paisagens
dentre poetas sem dentro
mais aforas em centros
passam assim as horas sentimentos
fora de poetas vagabundos
sem tempos de vento
no caule do coração
rebentos
são tão vivos jardins de estrelas
correntes marinhas
brilhos ou cios
alísios ou cores
chuvas na borda de atlânticos
molha e seca o distante e o próximo
são as noites são as manhãs
que ao emergirem aos dias
submergem no mistério de um durar
caduco e imponderável
ligando por cada rotação
o sem entendimento
o sem explicação
o passar dos dias
e dos jasmins
feito sexos ao vento
ou entranhas de horizontes
manhãs reluzindo dos escuros
de um ventre põe tuas sombras
em bailes
em caules
de flores
noites anunciam suas planícies de estampidos de grilos
enquanto amores e horrores curvam
terras raízes galáxias
noites do pó ao pé
lambendo indizível preto lunar de chumbo
anoitecendo sementes ou inefáveis
e favos de solidões
(solidão de um inteiro continente)
dia é noite é manhã
em vielas de gotas e espaços
luminoescuro
lâmina de ouro de preto
verdescuro de sol inteiro
noite infinda no corpo da manhã
manhã inteira no oco da noite
assim vagam paisagens
dentre poetas sem dentro
mais aforas em centros
passam assim as horas sentimentos
fora de poetas vagabundos
sem tempos de vento
no caule do coração
rebentos
são tão vivos jardins de estrelas
correntes marinhas
brilhos ou cios
alísios ou cores
chuvas na borda de atlânticos
molha e seca o distante e o próximo
são as noites são as manhãs
que ao emergirem aos dias
submergem no mistério de um durar
caduco e imponderável
ligando por cada rotação
o sem entendimento
o sem explicação
o passar dos dias
e dos jasmins
Vagar
dentro
pelo entre
voar e voar!
sem asa é a liberdade:
todo ar
o que se faz é azul
das mãos escorrem vivências
até água de mar
madrugada valiosa e vagabunda
é punhal colorido e sem tempo
que fala
que corpos não se contam
se estancam e enlouquecem
no sem fim do sim
num areal
do parapeito avista-se navio
e outros mundos descontentes de seus moinhos
por uma ponte vestir-se caminho
trilhar invisível é ainda navegar na bonança do sol
sobre feito
amansar o peito e acender
o sangue
sobre dito
cantar à lira
o sono das palavras
sobre infinito
refazer estrelas e esteios
em infâncias diárias
sem finalidade é a terra onde habita jorrar da vida
bem como aquela flor contra um muro:
em sua paciência salva-se urgente delicado
o que não se constrói
atrás de pálpebras paupérrimas
dorme toda a luz
dos insanos
seus olhos incendiados
ciganos
pelo entre
voar e voar!
sem asa é a liberdade:
todo ar
o que se faz é azul
das mãos escorrem vivências
até água de mar
madrugada valiosa e vagabunda
é punhal colorido e sem tempo
que fala
que corpos não se contam
se estancam e enlouquecem
no sem fim do sim
num areal
do parapeito avista-se navio
e outros mundos descontentes de seus moinhos
por uma ponte vestir-se caminho
trilhar invisível é ainda navegar na bonança do sol
sobre feito
amansar o peito e acender
o sangue
sobre dito
cantar à lira
o sono das palavras
sobre infinito
refazer estrelas e esteios
em infâncias diárias
sem finalidade é a terra onde habita jorrar da vida
bem como aquela flor contra um muro:
em sua paciência salva-se urgente delicado
o que não se constrói
atrás de pálpebras paupérrimas
dorme toda a luz
dos insanos
seus olhos incendiados
ciganos
Nossa manhã
ao oco de pé
ao lado em caco
um aço
dois bons
querer
basta
as nuvens deste dia
tão lindas
tão brumas as umas
os lindos e cachos
estamos vivos na praia
é lua cheia
é agosto
dia de festa
garganhar
é amar
ao lado em caco
um aço
dois bons
querer
basta
as nuvens deste dia
tão lindas
tão brumas as umas
os lindos e cachos
estamos vivos na praia
é lua cheia
é agosto
dia de festa
garganhar
é amar
Roxos
roxos até intensas folhas
roxas às enchentes centelhas
as rosas e as ancas
beijos e telhas
uns ancas
muxoxos
os pós finitos indos
as pás ventilas grãos
os amores e um pão
as dores
cerradas aviões
e lindos
tantas rochas em ar
res e pirar
tom e pilar
tim espraiar
em colunas de estepes
moças mochas e ças
navegando um ando andar
de cães
bocas ecos
em papagaios ou galhos
quadrada manhã
os alhos de olhos
cambaio
bugalhos botecos
fazem sentindo
em indo de tindo
em regatos
vestidos
chuvas de balaio
Passeio de trem
por cada montanha
corações e suas estepes
as peles ou as asas
enamoradas de sal a sol
curral de peixes
terras nas nuvens de musgo
em horizontes
a indiferença libertadora da flor
rotas para vidas ou navios
nas frontes percorrem invisíveis
o delírio do som ao sono dos achados
em cada cada
de rosa e chegança
caminha-se na praia
avista-se boiada
avista-se moça
real vestido de nada
por entre praias
corações gelados de areia
e suas ondas
inquietudes plenas e passageiras
árvores de mar
a lua está nova
as águas sempre
há beleza em todo eco
por todo oco
palavras são estrelas do mar
Trago
a saída é a entrada
e a entrada é a saída
a estrada
mui bela
ainda em cada cada
há vida
como nunca
se parece num pra sempre
um sempre
qualquer mistério impermanente
feito amores
quais andas e tempos
as ancas ou novos
os ovos
tais tontos
andores
quem veio por último
um ser ou um vento?
e a entrada é a saída
a estrada
mui bela
ainda em cada cada
há vida
como nunca
se parece num pra sempre
um sempre
qualquer mistério impermanente
feito amores
quais andas e tempos
as ancas ou novos
os ovos
tais tontos
andores
quem veio por último
um ser ou um vento?
Dois
os dois que nem sabiam
eram muitos
erradios
era ou erram
desviam
tantos fios
de seus encontros
em olhos fechados
sorrisos marginais
nos mercados
os quadrados
em varais
foram tontos
ora tantos
ou beijos
em cartaz
nas galerias
afloraram
alegrias
os dois que nem se atinham
se aninhavam
duas poesias
entre gaitas ou pianos
qualquer som no coração
às mãos e às peles
os anos
ritmos de tambores
dos tons dos pés dos sims
eram como dois
querubins
ou amores
já amantes
eram muitos
erradios
era ou erram
desviam
tantos fios
de seus encontros
em olhos fechados
sorrisos marginais
nos mercados
os quadrados
em varais
foram tontos
ora tantos
ou beijos
em cartaz
nas galerias
afloraram
alegrias
os dois que nem se atinham
se aninhavam
duas poesias
entre gaitas ou pianos
qualquer som no coração
às mãos e às peles
os anos
ritmos de tambores
dos tons dos pés dos sims
eram como dois
querubins
ou amores
já amantes
De tudo
dentre sentidos
fios da manhã
vibram vida e morte
vidas e mortes
dentre tardes
dentre noites
quandos
tempos que sobram indiferentes
são amantes são existências
mais metafísicas irão se fazer
ninguém será o peso de um sol
entre nós e as cidades
memórias e aonde é feliz
o que não existe?
por entre frestas
de sonhos
há notícias de sonhos
que me e se sonham
o breve e o jardim de inverno
ou outono que se lave
a chuva de maio e a de junho
sorrir impossíveis e ser alguns
até depois de onde se brincam palavras
e nossas infâncias
não
há saudade
há futuro
por tudo
fios da manhã
vibram vida e morte
vidas e mortes
dentre tardes
dentre noites
quandos
tempos que sobram indiferentes
são amantes são existências
mais metafísicas irão se fazer
ninguém será o peso de um sol
entre nós e as cidades
memórias e aonde é feliz
o que não existe?
por entre frestas
de sonhos
há notícias de sonhos
que me e se sonham
o breve e o jardim de inverno
ou outono que se lave
a chuva de maio e a de junho
sorrir impossíveis e ser alguns
até depois de onde se brincam palavras
e nossas infâncias
não
há saudade
há futuro
por tudo
Qualquer um
o que afinal de contas se levará daqui?
será um punhado de terra?
seria uma sereia poesia?
serão muitas vidas que se encontrarão?
viver o que interessa
impossível é o que dizem
vontade é o que se é
da vida levarão-se todas as coisas
até o daqui
no final das contas
há vidas que habitam mortes
será um punhado de terra?
seria uma sereia poesia?
serão muitas vidas que se encontrarão?
viver o que interessa
impossível é o que dizem
vontade é o que se é
da vida levarão-se todas as coisas
até o daqui
no final das contas
há vidas que habitam mortes
Segundo
à janela
passarinho vem esperança
aqueles ventos também
em
outras coxas
deitam-se as vidas
as moças
aos mares
vem das cheganças
que leva-se
lavam-se
ancas
beijos tortos
às ventas
inventa-se
o que se pode
e o que não se ode
se silencia
ou estanca
do que se poda
é que nascem meninos
alados famintos
suas asas apenas
quereres
importa
às janelas
qualquer intenção de inverno
frio que é para todos
amansam os ires
bailam as iris
olhos à porta
osiris
salvando
bem vindas
aindas
pássaros e amores
Quem?
uma tarde no clube
só duas noites
para amar
aviões em três corpos
corações
desgraçados
sem os
eram pós
em andar
a calçada impossível
unguento tim ou lento ar
estrada rebento
tantos tentos tontos tons
jangada
sentimentos
caladas
mentiras
tantas iras
antas
risadas e las
as ilhas as flores
dores matilhas
as bandidas aladas
ou idas fricotes
mascates amantes
até ondes as lidas
qual é que vai parar
as tidas aos montes
delirantes
amar
que não douram horizontes
que vivem tendo
em frentes suas frontes
seus quereres
deixar
só duas noites
para amar
aviões em três corpos
corações
desgraçados
sem os
eram pós
em andar
a calçada impossível
unguento tim ou lento ar
estrada rebento
tantos tentos tontos tons
jangada
sentimentos
caladas
mentiras
tantas iras
antas
risadas e las
as ilhas as flores
dores matilhas
as bandidas aladas
ou idas fricotes
mascates amantes
até ondes as lidas
qual é que vai parar
as tidas aos montes
delirantes
amar
que não douram horizontes
que vivem tendo
em frentes suas frontes
seus quereres
deixar
Libertação
não há mais para onde voltar
apenas libertar-se
em outras voltas
por ai
onde se amou se amou
e seguem-se os amores
por que não bastam e são bastantes
não há mais quando amar
em amares cadenas
em tontos ares
por ai
onde se não ama não ama
mal dizem os amores
por que não gastam e são gastantes
apenas libertar-se
em outras voltas
por ai
onde se amou se amou
e seguem-se os amores
por que não bastam e são bastantes
não há mais quando amar
em amares cadenas
em tontos ares
por ai
onde se não ama não ama
mal dizem os amores
por que não gastam e são gastantes
Utimo
seu horto torto
começando tinindo morto
morta é a praia
viva e sempre
é a vida
último é primeiro
presságio passarinho
hoje é domingo
qualquer hora é
pequeno ninho
tempo qual quer
vento és er
tais
ais
bens quereres
ventos revés
chovendo sois
é bem viver
é em través
é em quais quer
na palavra que há
ar o que não a
todas as dores em seus nomes
calores inomináveis
ou cores
a bailar
ando
vértebras na lua
veias na terra velha
corações ou melodias
há tanto no dia
que nem tanto sua sou
dela
suam peles eles elas
pois o que interessa é ser feliz
urram as pelejas
beijas
pois que se apressa
a baleia
arrendou-sea
carregou-sea
amor
pois que já não é pressa
um amar
iniciar
começando tinindo morto
morta é a praia
viva e sempre
é a vida
último é primeiro
presságio passarinho
hoje é domingo
qualquer hora é
pequeno ninho
tempo qual quer
vento és er
tais
ais
bens quereres
ventos revés
chovendo sois
é bem viver
é em través
é em quais quer
na palavra que há
ar o que não a
todas as dores em seus nomes
calores inomináveis
ou cores
a bailar
ando
vértebras na lua
veias na terra velha
corações ou melodias
há tanto no dia
que nem tanto sua sou
dela
suam peles eles elas
pois o que interessa é ser feliz
urram as pelejas
beijas
pois que se apressa
a baleia
arrendou-sea
carregou-sea
amor
pois que já não é pressa
um amar
iniciar
Amanhecer na praia
aquelas horas do amanhecer
que pairavam no mar
em horas da manhã para sempre
haverão de pingar
por entre aquelas horas
hora não há
nem vagas
nem vidas
entre elas só entres
ou sem ar
as horas
as vidas
as vagas
cintilantes pássaros
voadoras sem tempo
em espaços
naquelas horas
sobre o mar
o que não existe é passará
para nalgum lugar
amanhecer
passarada
ou passarinho
para aquelas horas do amanhecer
que pairavam no mar
todo tempo é seu tempo
sem lá
que pairavam no mar
em horas da manhã para sempre
haverão de pingar
por entre aquelas horas
hora não há
nem vagas
nem vidas
entre elas só entres
ou sem ar
as horas
as vidas
as vagas
cintilantes pássaros
voadoras sem tempo
em espaços
naquelas horas
sobre o mar
o que não existe é passará
para nalgum lugar
amanhecer
passarada
ou passarinho
para aquelas horas do amanhecer
que pairavam no mar
todo tempo é seu tempo
sem lá
Curtos
nas águas claras
nenhuma palavra
navegará
águas feito palavras
em vagar de ar
irão palavras
sem há ar
em infinitos afogadas
desastradas
desgraçadas
pro mar
ternuras e claros fundos
da alma
as funduras
dos raros
b a bá de amarguras
doutra vez
frutas futuras
fulguras na boca
já moram
amplidões de nuvens
suas possíveis estrelas
duas mãos em Marte
afloram
nenhuma palavra
navegará
águas feito palavras
em vagar de ar
irão palavras
sem há ar
em infinitos afogadas
desastradas
desgraçadas
pro mar
ternuras e claros fundos
da alma
as funduras
dos raros
b a bá de amarguras
doutra vez
frutas futuras
fulguras na boca
já moram
amplidões de nuvens
suas possíveis estrelas
duas mãos em Marte
afloram
Poema ao acaso
verão pelas peles
a des-invenção de uma cidade
do programa de rádio
de sentires
outra vez as leves
explosões de pensamento
de manhãs
às nuvens às águas
as vidas caminham dentro da minha
e das vidas há sa por
alegram-me óbvios e nadas em suas alegrias
outra vez pelos corpos passeando corpos
se ouviam ossos ou delírios
a plenitude de um lugar chamado estrela
submersa numa madrugada de outono
os dias abriam passagens
dentro dos dias
as noites cruas
mais vagarosas
ou nimbus ou ninhos
desenhos e sonhos
em varais
as paisagens viam paisagens
tudo como nada e nada como tudo
a invenção do tempo
e a permanência ao vento
a des-invenção de uma cidade
do programa de rádio
de sentires
outra vez as leves
explosões de pensamento
de manhãs
às nuvens às águas
as vidas caminham dentro da minha
e das vidas há sa por
alegram-me óbvios e nadas em suas alegrias
outra vez pelos corpos passeando corpos
se ouviam ossos ou delírios
a plenitude de um lugar chamado estrela
submersa numa madrugada de outono
os dias abriam passagens
dentro dos dias
as noites cruas
mais vagarosas
ou nimbus ou ninhos
desenhos e sonhos
em varais
as paisagens viam paisagens
tudo como nada e nada como tudo
a invenção do tempo
e a permanência ao vento
Pra darias
o que não estanca
voa
que não voo
alcança
o alçapão
as marés índicas luas
locas loucas
louças estampas
em nuas estrelas
nuances roucas
as ruas
tampas
as cruas os cus
as frias
as fritas
cruéis ternuras em concreto
se não bebem
mamam
leite
biritas
e se não amam
amam
as suas
piritas
voa
que não voo
alcança
o alçapão
as marés índicas luas
locas loucas
louças estampas
em nuas estrelas
nuances roucas
as ruas
tampas
as cruas os cus
as frias
as fritas
cruéis ternuras em concreto
se não bebem
mamam
leite
biritas
e se não amam
amam
as suas
piritas
Os outros ventos 2
outros ventos
cheganças plenas do que não cabe
num sentimento de ventania
alegrias sem peso
como infâncias desvairadas
quando ventar parece viver
a transa de um sorriso alísio
ou de um sul sereno e futuro
passam e ficam estes ventos!
ser invisível entre carícias
a vida das vidas
as vidas dos ventos
vento carrega palavra gaivota coração
além do cais e do céu
latifúndios de cirrus e proas
aproado em ventos permanece vir a ser-ventar
no oco do ar habitam curvas cinturas
seus espelhos temperaturas
meninas e meninos apaixonados
em in-ventar
no oco do ar que mora e salva tudo
na oca de ar que implode cidade e corpo inteiro
num antes de soprar os infinitos mistérios
num depois de sarar remorsos delirantes
vento salva sem direção
amansa sem ter mão
sexo feito mar em sal
pelas veias e vias
peles ou nortes
vento deus!
cheganças plenas do que não cabe
num sentimento de ventania
alegrias sem peso
como infâncias desvairadas
quando ventar parece viver
a transa de um sorriso alísio
ou de um sul sereno e futuro
passam e ficam estes ventos!
ser invisível entre carícias
a vida das vidas
as vidas dos ventos
vento carrega palavra gaivota coração
além do cais e do céu
latifúndios de cirrus e proas
aproado em ventos permanece vir a ser-ventar
no oco do ar habitam curvas cinturas
seus espelhos temperaturas
meninas e meninos apaixonados
em in-ventar
no oco do ar que mora e salva tudo
na oca de ar que implode cidade e corpo inteiro
num antes de soprar os infinitos mistérios
num depois de sarar remorsos delirantes
vento salva sem direção
amansa sem ter mão
sexo feito mar em sal
pelas veias e vias
peles ou nortes
vento deus!
Os outros ventos
a vida está no rabo
de um rio
na sede do verde
na cidade
ventos não são mais ventos
outras vezes dava para ir até
quando se desaparecia
agora
mudam-se ou ecoam
espíritos e planetas
a vida dos morares e dos não morares
é o que está pulsando
em flor
em antares
pelas veias vielas
do alto do muro ouviam-se alguns meninos
a vida permanece no que já não existe
os passos velozes e vagarosos
eram passos em estrelas
nos nadas e nos tudos
como exclamou uma jia:
nada é o mesmo e tudo é o mesmo
enfim!
o amar que não basta e é bastante
realidade que se escapa e se encolhe de si
serenas passagens
inovadas paisagens
inventam-se entre humanos
amores cataventos usinas e jantares
inventamos o que não existe e o que existe
inventar basta?
pelos passeios
a cidade que já não há
desinteresse movedor e movediço
do interesse
ou o mergulho
na água azul gelada quente
sem rumos
as vidas estão arrumadas
com a vida das vidas
com ventos dos ventos
às rosas
para sempre
de um rio
na sede do verde
na cidade
ventos não são mais ventos
outras vezes dava para ir até
quando se desaparecia
agora
mudam-se ou ecoam
espíritos e planetas
a vida dos morares e dos não morares
é o que está pulsando
em flor
em antares
pelas veias vielas
do alto do muro ouviam-se alguns meninos
a vida permanece no que já não existe
os passos velozes e vagarosos
eram passos em estrelas
nos nadas e nos tudos
como exclamou uma jia:
nada é o mesmo e tudo é o mesmo
enfim!
o amar que não basta e é bastante
realidade que se escapa e se encolhe de si
serenas passagens
inovadas paisagens
inventam-se entre humanos
amores cataventos usinas e jantares
inventamos o que não existe e o que existe
inventar basta?
pelos passeios
a cidade que já não há
desinteresse movedor e movediço
do interesse
ou o mergulho
na água azul gelada quente
sem rumos
as vidas estão arrumadas
com a vida das vidas
com ventos dos ventos
às rosas
para sempre
Samba de quarta-feira
de lá vem ela subindo
bom não saber um pra que
de viés tez e seus trilhos
festejo de sal e o erê
já que hoje é quarta feira, iô-iô
quem se toca, vão saber
me jogou iemanjá céu e flor
um benzinho, querer de iá-iá
acá tem só um sentido
do revés tecer o bem vindo
meio dia, mar, andarilhos
tempo de concha a nascer
ainda hoje é quarta feira, iô-iô
derivar é se encontrar
preparou mãe odoyá coração
direitinho, fazer pra iá-iá
Feixe
há a palavra que desaba
outra que é aba
abc ou bê a bá
umas que não enchem copo
algumas corpos
aquela voa
voou
apaixonado
há um samba que caleja
outro feito peleja
dar em olhar quedou
uns e outros romances
novos olhares passados
ovos ou antares
sinfonias e meninas
encaminhado voa um sonho
qualquer resquício é lixo
querubins das esquinas
dizem tempestades ou palavras chuvas
vovô viu a vulva
é pôr do sol ou res plande ser
"a nossa turma"
diria o bom amigo
"a nossa curva"
é onde encontram-se caminhos
ou nas polpas das nuvens
ou nos bateres de vida
no cais
passarinhos
as bolhas e bodas
as pontes das realidades abertas em grande caos
ensinam o impossível da poesia e pra gataria
mentiras e destroços
são coisas poucas
o sentimento ganha sua madrugada
e brilha
outro céu na lua
ou no céu
da terra
sentimento que basta sentir
prazer que basta prazer
um beijo
outras folhas ou delírios
estribilhos
que as luzes precisam falar
o que palavras não são
que a luzes precisam escutar
que palavras todos são
11
voamos para casa
últimos assentos em mãos
as pelejas e os presentes
no saguão
voltamos
na tarde abafada sem fotografias
sem terra e tanto céu - ternuras e urros
até sexo se fez
no balão
quatro horas da tarde brasileira
outros analistas ou querubins
entre Vitória e Caravelas - nãos
dei-lhe beijo
acalmando-lhe as mãos
voamos para onde amamos
entardecer invernal em pleuras
as loucuras e as respirações
dor que deseja dissipada
nas idas e nos dares
todos os ares as palavras e as vidas
cartas em pares
voamos para a asa
céu de outubro ou julho
qualquer romance ou engulho
no avião
planamos agora
para mar em vão
os ombros
costeiras
as nuvens rios
em tãos
os tontos
as turbinas
os nadas
coração
últimos assentos em mãos
as pelejas e os presentes
no saguão
voltamos
na tarde abafada sem fotografias
sem terra e tanto céu - ternuras e urros
até sexo se fez
no balão
quatro horas da tarde brasileira
outros analistas ou querubins
entre Vitória e Caravelas - nãos
dei-lhe beijo
acalmando-lhe as mãos
voamos para onde amamos
entardecer invernal em pleuras
as loucuras e as respirações
dor que deseja dissipada
nas idas e nos dares
todos os ares as palavras e as vidas
cartas em pares
voamos para a asa
céu de outubro ou julho
qualquer romance ou engulho
no avião
planamos agora
para mar em vão
os ombros
costeiras
as nuvens rios
em tãos
os tontos
as turbinas
os nadas
coração
Sem definição
por entre fios
uns finos outros fáceis
se tecem as vidas
os jorrares e os sabores
as águas, indizíveis, andores
por entre filetes de luzes e cabelos
ardentes ou pálidos átomos
de miudezas anônimas e loucuras estonteantes
fios existentes que ultrapassam medidas
fios imensuráveis de lado a lado
de largo a largo
de fundo a fundo
são fios invisíveis que sustentam real
que seriam estes fios?
as alegrias?
os impossíveis?
os reveses?
fios da aranha?
fios de estrelas?
fios de peles?
os fios são frios ou rios?
por entre fios
uns tinos outros voláteis
nascem vivem e morrem
as rosas e os horrores
mistérios, grandezas, belezas
infinitos, quadris, planetas
por entre fios
das terras e das nuvens
navegam pássaros e alísios
até o invisível chão onde mora céu
até o invisível céu onde mora chão
palavras que em pequenas coceiras
nos tocam o corpo inteiro para além do corpo
palavras malditas
palavras que habitam existir
palavras sementes amorosas da solidão
ou grandemente as inquietudes pequenas
que como fios
se emaranham pelas palavras
fios do mundo
para nós que dizemos "falar palavras"
mas há mais palavras a se inventar que a se dizer
embora seja a terra, tecnificada, este mundo
embora seja a terra de todo mundo
o melhor são brinquedos ou brincadeiras
as inocências e os ventos
bobagices, onirices, restares
a poesia está aí por que também tem que estar passando e restando
gastando e engastando realidade
uns finos outros fáceis
se tecem as vidas
os jorrares e os sabores
as águas, indizíveis, andores
por entre filetes de luzes e cabelos
ardentes ou pálidos átomos
de miudezas anônimas e loucuras estonteantes
fios existentes que ultrapassam medidas
fios imensuráveis de lado a lado
de largo a largo
de fundo a fundo
são fios invisíveis que sustentam real
que seriam estes fios?
as alegrias?
os impossíveis?
os reveses?
fios da aranha?
fios de estrelas?
fios de peles?
os fios são frios ou rios?
por entre fios
uns tinos outros voláteis
nascem vivem e morrem
as rosas e os horrores
mistérios, grandezas, belezas
infinitos, quadris, planetas
por entre fios
das terras e das nuvens
navegam pássaros e alísios
até o invisível chão onde mora céu
até o invisível céu onde mora chão
palavras que em pequenas coceiras
nos tocam o corpo inteiro para além do corpo
palavras malditas
palavras que habitam existir
palavras sementes amorosas da solidão
ou grandemente as inquietudes pequenas
que como fios
se emaranham pelas palavras
fios do mundo
para nós que dizemos "falar palavras"
mas há mais palavras a se inventar que a se dizer
embora seja a terra, tecnificada, este mundo
embora seja a terra de todo mundo
o melhor são brinquedos ou brincadeiras
as inocências e os ventos
bobagices, onirices, restares
a poesia está aí por que também tem que estar passando e restando
gastando e engastando realidade
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