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Os outros ventos

a vida está no rabo
de um rio
na sede do verde

na cidade
ventos não são mais ventos

outras vezes dava para ir até
quando se desaparecia
agora
mudam-se ou ecoam
espíritos e planetas

a vida dos morares e dos não morares
é o que está pulsando
em flor
em antares
pelas veias vielas

do alto do muro ouviam-se alguns meninos
a vida permanece no que já não existe

os passos velozes e vagarosos
eram passos em estrelas
nos nadas e nos tudos

como exclamou uma jia:
nada é o mesmo e tudo é o mesmo

enfim!
o amar que não basta e é bastante
realidade que se escapa e se encolhe de si
serenas passagens
inovadas paisagens

inventam-se entre humanos
amores cataventos usinas e jantares
inventamos o que não existe e o que existe
inventar basta?

pelos passeios
a cidade que já não há
desinteresse movedor e movediço
do interesse
ou o mergulho
na água azul gelada quente

sem rumos
as vidas estão arrumadas
com a vida das vidas
com ventos dos ventos

às rosas
para sempre



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