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Poema ao acaso

verão pelas peles
a des-invenção de uma cidade
do programa de rádio
de sentires

outra vez as leves
explosões de pensamento
de manhãs
às nuvens às águas

as vidas caminham dentro da minha
e das vidas há sa por
alegram-me óbvios e nadas em suas alegrias

outra vez pelos corpos passeando corpos
se ouviam ossos ou delírios
a plenitude de um lugar chamado estrela
submersa numa madrugada de outono

os dias abriam passagens
dentro dos dias
as noites cruas
mais vagarosas
ou nimbus ou ninhos

desenhos e sonhos
em varais

as paisagens viam paisagens
tudo como nada e nada como tudo

a invenção do tempo
e a permanência ao vento






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