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Para me salvar
Feliz era nova
o derradeiro crepúsculo da já ida era
desmonta a luz nos confins da baía
e explode do casulo em espera
breu tenaz no firmamento e borboleta sideral
quando você mirar Júpiter navegando vizinho a Saturno
com seus olhos - dois sóis azuis - taciturnos
do amor quimera
quem sabe não esteja se enxergando
em outra errante esfera
em outro modo de deixar ser o que já era
e de despertar em anoitecido coração
um sentimento de adorar que entre mim e você
entre praias, planetas e o querer
reverbera
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Recado (Música: Ian Lasserre / Letra: Thiago Lobão)
Tanta tonta teoria
Lá e cá
da ávida cavidade de século
do poço perplexo ou útero
e dentro da tez terrosa aflora
à flor da Terra a flora do agora
planeta pendular desponta
em errante eclíptica elíptica
que desaponta beleza humana
em seu não lugar de alteza e já tonta
diminuto mundo velho
em minuto de areia cadente
em minúcia de autor ausente presente
já outro imenso ovo total em voo
azulado bólido falido
estrada ao nada e estrado sideral
grilhão e plataforma disforme
para algum outro desconhecido
ponto de apoio carnal
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"Quem é mesmo não diz"
Moradoras
Ápice e bis
Com tato
a gente não toca o tempo
que toca barco indiferente
diferente de nosso toque
atocaia ente na toca
oco tocando ao fundo seu eco
e o intocável
enquanto der tempo de ser óca
até quando tempo se der por certo
de destocar o favo provável inefável
estaria este nos prestando favor
ou melhor não tê-lo sabido?
por qual ser trazido se com tempo não se for?
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que toca barco indiferente
diferente de nosso toque
oco tocando ao fundo seu eco
e o intocável
até quando tempo se der por certo
de destocar o favo provável inefável
ou melhor não tê-lo sabido?
por qual ser trazido se com tempo não se for?
"De Caymmi e João Gilberto"
suas ladeiras ao céu desiguais
lendas sacras carnais
seus infindos povos de dentro e de fora
Roma negra matriarca da prole
Salvador salvadora
da Alegria e Tristeza sen hora
Gêne-se
gestar um gesto na caixa
do córtex ao coçar
é quem nele mora ou é corpo
que está vivo ou morto?
do gin ao gen no ato
gastar a jato um jeito de gostar
de outrem que enfim goza
ou de narciso a se jactar?
gametas juram janelas em prosa
gosto oco de jorrar zigoto
pelve da gema e do ovo num polvo
que geme gíria na gama de renovar
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Cisma do sonho
Sambô
Quase carnaval talvez
suspenderam nosso carnaval...
estrangeiro susto cardio-carnal
vide certo dito surto em euforia
há de seguirmos com a razão...
ou em manobrada febril alegoria
que cinzas pode já ser na quarta-feira a raiar?
será que nunca mais será...
orbitando eu atrás de seu sorriso
envolta da barra da luz do farol
ou na praça até o coração do poeta...
para te achar e morrer de amor em você ou
chorar por quem não vai pois já viveu?
respingo do transpassar de nós na imaginação
um contrapé no corpo nosso e na multidão
conduzidos de onda em ondina pé ante pé
vendo padê e o Ilê descer entre nós
de toque em toca sem tocar e sem retorque
em batuque de sinal remoto afro afoxé
sabe-se lá por qual sentimento se foliões ainda
figurando numa avenida ou a sós no pensamento
para lá das chuvas mil de Abril em viagem
ou se em efusiva folia de paisagem infinda
dum bloco a fazer de conta a felicidade
que passou a luzir em nossa vida na estiagem
divertidos do cóccix em vertigem de córtex
como anônimos faceiros transeuntes entrelaçados
a caminho dos caminhos de nossas bocas ou se
perdidos do amor modesto outra vez na foz da tez
já achados sem voz na derradeira anoitecida avenida
de algum pós quase moderno carnaval talvez
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Mesmo nunca
Alegre susto
A vez da vez
de vez em quando
explode um silêncio imenso no pensamento
a estepe infinda e sem borda
ou continentes de si
se evaporam pelos poros
alcançam a retina as partículas de partículas
ao olhar de dentro e de fora
semeiam horizontes de anos-luz
e de vez em quando
no centro de um tufão é imensa a calmaria
e na alma do pensamento
o que será que se deu
o que será que se dará?
na dúvida ávida da vida
melhor se dar a se vender
pague para ver só para você
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Repetere ou dos ecos dos ãos
o mal da repetição
é dizer sempre não quando é sim
ou é dizer sempre sim quando é não
o bem da repetição
é que ela é preâmbulo
de qualquer quase-perfeição
o bom da repetição
é que ela lembra de tentar o novo de novo
a cada supetão do ovo e da intenção
o mau da repetição
é que ela vicia liberdade em alçapão
e o mesmo se propaga em suposta invenção
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Transmitir de ecos
o que era tão brilhante
já se desabrilhantou
pois farol Sol
só apaga e apega Vênus
de dia para nós
e lá no Sol temporal
é eterna a noite e Vênus brilha sempre
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Um teatral mundial
faça até a fama...
será que é boa ou não será?
quem dera lerá a beira da leira ao se plantar
mas não deite nessa cama nem caia nessa maca
de aceitar e deixar sem queixar
de graça o papel em prol que (eles)
querem te vestir pois
na grande cena do mundo
quando o olhar de primeira vez
a cada vez se esvai
um desvario arrepia na tez
e é acertada altiva hora de ser quem se foi
a cada gota e no raro agora de aparecer
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Canção de sonhamanhecer você...
por que será
que sempre dou de sonhar com você?
é o meu querer...
um não junto da lembrança
com quê de esperança?
que será que sonho ao tempo você...
será eu mesmo
ou quimera de crer pra agradecer
o prazer?
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Vento de interior
tentação
tentáculo
temporão
oráculo
sem hora será serão
da senhora Dinorá
e quando amanhecer seus confins
vou arribar meu coração lá
meus quiças seus enfins
inspiração
temporal
vértebra
vernáculos
vendaval
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Bobo bolero
raso alto ventando
achado no andor da árvore
um salto suposto precioso do cume
e daí desabou a guia a rua a águia
para oposto que parecia gostar a derivar nossa via
sob ensolarada mangueira a nuvem errante poesia
daquela razão que ninguém encontra por que é
águas terçãs ora nos apagavam indecentes inocentes
ora evaporavam e nos deixavam arder em febres pagãs
melhor ainda é negar sincero
do que dizer sim e bailar bobo bolero
será que é perfume?
será que é estrume?
o ciúme é dois gumes do amor
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O fogo que precisamos apagar
Brasil de brasis
em brasas arde verde e anil
e em cada braseiro tem um ser brasileiro
uns se responsabilizam e outros não
estes que fogem a luta e governam a nação
salvem os impávidos heróis e heroínas
que debelam chamas que exterminam
animais e povos xamãs
salvem a onça pintada o jacaré e a garça
pra preservar a graça de um país
onde se plantando tudo dá
salvem as nações indígenas
e a fauna e a flora
da ganância e arrogância de pseudo-humanismos
salvem a floresta desse ser nefasto humano
e que no rastro do fogo prevaleça e vença a vida
a beleza e a transpiração da natureza
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Inter-esse é para quem tem
erguer do ser ao cons-ciente-zar
e deixar-se zanzar
do sim ao não ao négo
organizar o orgão
errar na estrada a senda
e deixar ondular as vagas
dum novo jeito de sendo
organizar o eco
do ponto cego do des-apégo
cego até para quem
diz do alto ver des-vinco-lá
organizar o oikos
e o seu plural-singular ato habitar
aceitar outra casca no retorno ao mesmo da casa
e a face de outrem nunca ousar espelhar nem trans-figurar
organizar o oco
de todo tudo da alma que se tem um pouco
pra validar outros ovos lindos loucos
que no caminho podem ovular conosco
moldar própria asa sem outra estolar
queimar brasa do se gostar sem des-inter-essar
amar ver voo de outro e junto gozar
e se assim não o for então agradecer e deixar ir
sem lamentar
pois está tudo no lugar que tem que estar
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Deixa e não deixa
que fogo cura
deixa fogo queimar
que fogo dura
deixa fogo queimar
que fogo sutura
deixa fogo queimar
que fogo mistura
deixa fogo queimar
que fogo rasura
deixa fogo queimar
que fogo costura
deixa fogo queimar
que fogo estrutura
deixa fogo queimar
que fogo bem aventura
mas se fogo matar
não deixe o fogo
nem destruir nem alastrar
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Viajantes
vórtices da manhã leve veloz
num vértice inexistente
do raio celeste
há quem saia para capinar
há quem a poesia se preste
e quando quase lagarta
borboleta for
é como se tu estiveste
flor
a espreita de me achar
dentre pegadas que não caminhamos
brotam percursos de nos florescer
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Fui te buscar
fui até beira pra te dengar
lua dourou você na maré
adoramos com seixos até
sexos salgar
costas atlânticas em pedra fria
cisma de corpo, enlaço e guia
festa na areia e dança no pé
gostar temporão na maresia
pedimos a mãe paz e proteção
pra que fosse amar
abrigo e constelação
indo com ventos sem desbotar
até onde luzir eterno costurar
das vias e das vidas do devir
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Paratodas
fazer luz operar dobras
até bem vindoura obra
e soçobrar as sobras
se sobrarem
no sobrado e de bom grado
apoiar-se com ombros entre outros
até possíveis e impossíveis arestas
condições de quaisquer im(possibilidades)
e construir moradas em escombros
até lugar e tempo que natureza autorizar
ver beleza no fim e na fonte
na flor e no espinho
no estrangeiro e no ninho
no passageiro e no caminhar
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Pensado
acolhimento e estranhamento
incríveis
infindos
e até inenarráveis movimentos
entre algo e nada
que chamamos pensamento
para a vida
fora e dentro do pensamento nos dada
o infinitamente próximo
e o infinitamente afastado
um pensamento nem tão perto
e nem tão longe de nós
um pensamento
face a face
entre nós
não estamos nem próximos
nem distantes do nós
ainda assim vivemos
prestes ao contentamento
de contemplação vir a ser ação
ou razão de um ser entre seres que pensam
o que é e que podem ser
pensamento
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E daí?
Quem?
a
poesia
se acha
no olhar de quem sente
até na praça sentada
e quem procurar
achar
que sabe o que
poesia é
ou não vai encontrar
ou verá nenhum
ou único ponto de olhar
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Lá não existe
azulam trigais
exalam figos na sala
suas gamas
luz que condiz e conduz
tangenciando margem impossível
siderais e festivas
ogivas no baile de solidões
são totais por entre entes e nadas
invisíveis escamas
em formas de gemas
que não falam notícias
nem deste nem de outro lado
dão sentido a um êxtase sentindo
do que não sentido é
e se ocultam do que oculta
em todo vislumbrar de bre-eus
estrela turva e se transforma em vida
na terra
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Como se nunca...
deixou de estar ao lado
sem paradeiro e parada
foi o amor
e como se nunca amado
sentiu outra vez
amor de outrora noutra tez
repousado
sem quando sem hora
como se nunca chegado
partiu junto a borboleta
num luar que prateava nublado
o amor desfez sua meada
caiu no mundo de cidade grande
depois do verão e da invernada
vai saber o que nos guiou
vai saber o que nos findou
quem sabe razão de amor?
e se partiu de mim
como se nunca partido
há de reservar o tempo
um sentido
e reviver sorriso e coração
em outro doce amor temporão
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Ponte das Almas
Sem você
paisagem nova em claustro
de te re-imaginar nua
passeando no verde
e em minhas paredes diagonais
seus olhos irracionais
próximos-distantes do gesto
e da intenção
meu coração na mão antes
de você chegar e subir as escadas
calma cansada
eu cantava e cantei suas chegadas
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Fofoqueiro(a)
e te vi sorrir e chorar por aí
nunca julguei o que porventura
presenciei e escutei sem querer
nem injúrias te proferi
nem seu futuro amaldiçoei
nunca seu mal desejei, criatura!
daí difícil entender
por que em seu samba torto e morto
insiste na altura de me maldizer
e de me cantar outro tipo, arteiro e
malandro,se é você que sofre
da sandice de querer ser sempre o primeiro
por que falseia o gostar
de quem nunca gostou?
de agora em diante
agradeço de bom grado
o que a vida me deu e me poupou
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Dicionário
Amiga Tóxica
com presumida resposta
desconfie, agradeça e siga sem ela
sem a sujeita, sem a suposta, sem essa
você é a sua querida e amada aposta
quando receber palavras de quem
com pressa as imprensa sem pensar
e as usa como olvidado souvenir
e à mesa as joga de posta e posta
sorria, seja grato e exclame: c´est fini
c´est fini!
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Tic Tac
mas gosto mais do tak tek tuk
do batuque
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Voo da ave
em sua rota é história solidária ao mundo
surgida de dentro da nuvem cinza de dia cinza
sentimento misterioso e voador de uma só penugem
quando choveu lá pro lado do sapotizeiro
a linda ave guiou-se para o mar
fazendo voo calmo de inteira ânima
parecia pesada e feita de ar
e foi lindo vê-la na ida e na volta
e após banho salgado voltar pro ninho
e descansar
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Sem saber
será como meu amor?
que linda luz fez descortinar
e no cume da noite se dissipou
será salto ao alto do amante?
ou virá rasante...
no colo de quem não o esperou?
mau costume daquele
que do amor é freguês
todo amar é só uma vez
é nuvem namorada da tez
ao passo de passarinho
que com vento não voa sozinho
sem saber dos seus porquês...
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Manhã
Paisagem em passagem
que em atravessando nos atravessa
seus passos largos engolem os nossos
mas só caminhamos com a vida
através dos próprios pés
que ela que nos traz e leva
nos deu
de proa, cauda ou través
ninguém voa sem vento
enquanto é o vento que nos voa
ao nos re-in-ventar no tempo
este que não depende de nós:
como o outro, as estrelas
o magnetismo, as nuvens, as bromélias
viver é atravessar com vida
enquanto ela nos versar
enquanto verso não faltar
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Pra piorar...
tem um (pan) Demônio
que diz "e daí" diante de vidas perdidas
só porque tem regalia, de vida é vazio
preside em demência, é um sem neurônio;
sem ciência brada, cospe excrescências,
rindo da gente que sofre todo dia
ele é embuste de ser que não presta
que a humanidade mais humana contesta
é a única peste que devemos ignorar
sem olvidar sua podre conduta que inspira poesia
para vencermos o corona e sairmos dessa zona
e novamente as nossas famílas abraçar
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Quando é?
que a gente não se fez
por não saber fazer
ou por não querer saber
ou por ser cedo
para perguntar
quantas respostas
para a mesma pergunta:
quando é amar?
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