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Notas 2

afrodisíacos silencios ocupam os preenchidos de nada
estampidos ou calmarias
quem vive por dicotomias não realiza salto impossível

coloridos e libidos
na libertinagem de uma nação inteira
chão e céu vendo tudo pela estrada
até pés ou conchas em forma de pontes
tudo era testemunha

qualquer viagem de ida ou de volta requer a alegre parcimonia de permanecer em si

O silencio da praia

no silencio de uma concha mora mar e imensião de mistério
estampido reflexo no fundo
mora um mar de segredos
de tantos envios aos avios desvios ou fios
talentos acalantos
ao tempo

dentro do silencio
a sua cria o seu gesto de concha
seus ruídos em forma de corpos

dentro do mar caminhos de correntes as próprias enchentes
suas marés e seus mares

navegando navio e prumo
se é fogo e se é pavio
se é remo e se é rumo

Feriado nacional

essa chuva
chuva antiga
lá no alto de um verão
tem sabor de nuvem e alma
pensamento noite e dia
é tão velha a sua água
é tão clara a sua guia
inteira molha molda pedra cria

tão velha salgada esguia
é tão moça
essa chuva 
chuva antiga
de pingo de pinga de poça de louça
no vale do chapadão
rainha atlantica de um mangue
lá no verde do mangueirão

Um cacto

um cacto acto de atuar
compactua comigo e contigo e com a tua
palma do corpo
nua entre espinhos

as entranhas
as estranhas
delírios de algumas traquitanas

mil vidas de uma só raiz
um ninho de verbo e de fato
um tropeço verde musgo no ar
na varanda ou em forma de constelação
da pra em tudo imaginar

pulsa um seu pulso em tudo
na pele estrageira
imensa é a vida diante dum horizonte soterrado

Notas

um ritmo
mistérios nas ondas
em todos os entes centelhas de ondes
estrelas falantes de silencios

a onde a onda é ente é
aonde toca o nada?
quem é entidade ao ser em tudo o nada?

o ritmo das ondas batendo no cais de salvador
importancia fora e dentro de tudo a quem importa um gostar
o mar no meu peito

um corpo em seus infinitos amores
de ritmos de ondas de aondes
em um romance na praia do reconcavo
ou na noite de ano novo de um sonho




Passeio entreaberto

de peito aberto bate a vida
e novo sentimento
na avenida ou de ladeira
a assentar um retalho de vento
a passear o passeio e o passeando
no ser de todo transcorrer


Estepes de nuvens

por esse extravio tem bem vindo envio
nuvens e nuvens áfio

pra cada nó de língua, desvio alheio
um trilho tranquilo, uma ilha
uma trilha tecendo outra matilha
um se e um sorrir 
além e aquém de quem, de alguém

pra cada só ou quiprocó
a consciencia da presença e do presente da companhia de si
a cada arame
a cada arado

tem bem vindo extravio por esse envio
estepes e estepes de assobio

pra cada passageiro seu paradeiro passando em seu navio
manter as velas
as cancelas
as janelas 
todas acessas para breu e luz
alimentando-se do que mais ambienta por a parecer ser

por entre o olhando da felicidade
satisfação desinteressada por palavras, por olhares
bastando o infinitivo sereno e os pilares
do que resiste por que se renovam os ombros e as cidades

tirar-se de um bolso vazio, um mau pavio
encher-se de boas novas, de cios

o que é dado já pro dado se pode voltar
e o já colhido é o que se cultivado dará

Multiplicidades

em cada canto do rio seu devir contente com fonte
por cada riso ensolarado visgo de ser rios e devires e devires e rios e sorriso

em envio de sorriso em cada sol
aproxima afasta inesperado
é o gesto é a intenção é a contramão





Madeixas

suas madeixas de lua
o luar por suas tranças
outrora arriadas nos seios
agora entre areias e centelhas colorindo céu atlantico

o fugaz amor a se esvair e a boiar de ar em ar
de lua em lua
e suas madeixas me buscando
rodopiando nos cinco cantos do meu pensamento
por meus quereres festejando um arraial no corpo

suas madeixas cadentes
carícias
mumunhas 
suas delícias entre estações
seus continentes 
eu desejei

suas madeixas e bichos ferozes
voraz leoa na savana de pedra
sua leveza de pedra
e sua beleza de mechas
as flechas e as cheganças do que não se espera
as andanças sem paradeiro dos corações
bem vinda

outra vez suas madeixas de pedra e de beijos 
outra vez como uma constelação me guiando e cobrindo
entre a beira e a meada 
do prazer

Eram os seres eternos

voam através do sereno sobre o caos
voos e voares de corpos no espaço

são caminhos incontáveis de fúria ou de paz
voando
é voador imponderável

enquanto entoam pelo noticiário a fugaz e a líquida vontades diárias por velocidade e por necessidade de contingencias plenas
as vidas as poesias as delícias 
sendo trituradas e empacotadas por bondade de migalhas de uma humanidade falida

mas permanecem voando para aquém e para além dos corpos do sem espaço
o que não se voa pois em todo lugar já habita o ar

são liberdades ou utopias de cada ser emitidor que resistindo ainda é e ainda será a cada mudança do cosmos
para sempre

até que os seres todos sejam eternos novamente






Metafísicas I

a voz é a foz que deságua no nada e no eco de tudo
a água é um tudo e é um nós que habita pela pele de tudo

a voz é uma vez por que vez não tem tez e não tem vez
a voz não é feroz mesmo se carece e se na foz de nós não derrama água de habitar

a luta é hábito de habitar e é conduta no ducto de autoconduzir e de autocondizer
e a voz se introduz no que se diz e no que não se diz
entre algo e entre nada

a voz é um bicho feroz e é veloz velocidade
é uma vez da vez e pode ser atroz ou ser humana
a foz é lugar donde brota e desbrota o que nunca se separa de nós

(e no cerne da carne pensa um pensamento dentre infinitos e infinitos
num planeta indizível)

Noite enluarada

céu dos céus
de azuis infindos

tão lindos com a lua jorradora de marfim

céus explodidores de noites
e de diamantes tingindos de inverno

um brilho ao redor da praia a anos-luz de salvador

céus fazedores de vento voo
céus destruidores de liberdades ventanias

no cume do inverno dos invernos
uma noite de verão se aproxima à deriva no mar infinito mar

e nos corações pulsando terras



Passeios no bosque

céu de depois da chuva
marte e saturno em companhia

a centopéia ensina tantos pés não apressa
aprender é recomeçar pela origem de cada presente
pelo caminhar e pelo caminho

caminhantes os planetas e viventes as palavras
habitavam a terra

Conduzires

conduzir por todo dia a alegria indizível dentro do caos falador de terras e de céus

escutar indizível
enxergar invisível
navegar em nimbus in-preciso sendo ventar e sendo verter a cada segundo

reconduzir a tudo que nos induziu pelo que reluziu e não pelo que desbotou
como se fosse sempre a primeira vez:
amar
nascer
viver
morrer

cultivar jardins de verbos-gestos coloridos ou de árvores
semear e colher dos relevos e serras a liberdade possível a todo sens-ação
para todo voo

confluir entre passos, caminhos, caminhares, passares e passarinhos
sincronizar a raiz e o fruto
o presente é o futuro
para se banhar em nascentes de vida nova e de cri-ação
em mares da bonança das celebradas e inesperadas ondas ou nuvens

conduzir e deixar-se conduzir
ser condutor e ser conduzir
ser para se atrair
ser para se repelir
ser é saber de si


Noites de verão

olhos mirados em teus seios
no farfalhar das auroras
os seixos
as cangas
         
dois olhos arriados por teu ventre
entre entres
enlaçado em tuas miçangas
coloriam sexos como esteios

olhos vazados do que não se enche
em cada planície macia de pelos
dos tecidos às funduras
dois futuros
tuas temperaturas
salgadas

dois olhos arribados sobre tuas costas aladas
sobre teus ombros cansados teus verdes maduros
pendidos como ventos das larguras aos cheiros

teus olhos
duas luas
planetas inteiros

Conhecer-si

conhecer-se o quem do conhecer-te
conhecer-me aquém e além do conceber-me
conceber-me quantas vezes preciso
conter-se e desconter-se no possível pendulante
ou antes ou depois do cerco do ser-se
ou extrair-se do impossível ou do incabível a cada sempre
conhecer-se quem
sobretudo antes de ser o o que
o porque
o ter
o para que
a cada dia

Sobre um dia

um dia
não mais que um dia entre noites e vertigens

surgem momentos em espaço-tempo-energia
surgem outros dias e por tudo um elã e um paralelo

brotam as horas de qual fonte?
enquanto a noite goteja planetas-estrelas
Júpiter, Marte, Saturno, Antares

existem constelações de formas e sentimentos por aqui dentre terra
pela potencia em forma de ato da semente
a vontade de escolher entre vida e morte

a noite
essa passagem para outras noites
para tantos planetas-estrelas

mar tão grande dentro de cada íris e de cada pele

noites feitas de fantasias sob medida para um organizado carnaval

noites vestidas de dias

seriam passagens para onde?
o impulso do mistério em tudo que muda e permanece
permeando em tudo e adentrando o céu:
muro de infinitas pontes


Sentido

tudo se anoitece e tece o fio
tudo se enublece e é raro o tio
tudo se transforma e a forma é recado
tudo se resplandece e é a arte da natureza

tudo se refaz e faz o fazer
tudo se retrai e expande o viver




"Abril chuvas mil"

são finas
sao duras 
estrelas e peles de chuva?

por cima
por baixo
dos amores entrelados
amares
marés
e morros

morros de chuva como este boiando salgado ao ocaso sobre salva dor
feitos ainda que de verdes azuis
o verde dos entres
as liberdades e os libertandos de um céu de cores
ou de um mar de dores

as coisas: para onde elas se vão
os prazeres bem vindos das peles silhuetas de ventos
chamados atentos 
do maravilhar andarilhar

muitas águas em uma só
corrente agora cinza azul anda luz

enquanto o tempo vilipendiava destruindo a cidade
e os devaneios de seus supostos donos

fazia-se p arte
ao longo dos gestos
in visíveis

Entres do cais

entre o cais e o atlantico as viagens silenciosas de sol

entre a toada e a corrente
o nada, o átomo, o impossível, o tempo

entre o corpo do corpo e outro
fronteira que é morar em algo

entre o entre do entre
a língua vã de quem ressente

entre os beijos da moça
uma larga e clara poça

entre a liberdade de ser até se deixar ser e não ser
os passos, mil passos da história

entre pessoas e gestos na praia
os entre, os ventres, os de repente

cheiro de melodia de caminhos e caminhares para alma
um oco ora frouxo ora metido em tudo
paisagens de caminhares e vidas
em cirandas, em balanços, em nuvens

a melhor sinceridade é a que não carece provar qualquer verdade


Soneto ao fim do verão

um mergulho no mar
outro num sentimento
terra é feita do que há
água boia na retina do ar

por tudo um elã e um paralelo
desde revés até o singelo
um corpo belo de manhã

espraiado em gota e tempo
dos céus aos sais
um marulho de elo e pensamento
outro na foz de dentro

entre tus e entre vós
tudo trai no que finda atroz
tudo traz a paixão que pinga de nós

Observando

de um vento acontece o que está por ventar
a arquear perfumes da noite

lua e júpiter numa arquitetura de velocidades e brilhos
dança do invisível viver

da terra
avista-se próprio olhar solitário solidário a tudo
avista-se brandura e palavra ainda por se avistar
tempo morrendo e morando entre tudo

vento e chuva impossível e implacável das luas
numa calmaria azul está o vento se inventando
e júpiter à sua companhia parecido com o que é perto

ventania no passo e no espaço da lua

Interlúdico

por intervalos de céu à sol
de nuas às luas
encantamento que tudo adentra e perpetua

resistindo da corrente ao ente
para sempre do mesmo à deriva
inflando-se de ar pelas ventas

novo a cada vez faz aceno e acento
dentre um nada
até a beira do vento

daquele mar sem fim de gotas sem fim
bebia-se a própria sede
como da primeira vez não de coisa mas da tez

novo vinha com velho no ovo
alarido repetindo um outro
emanando vida por tudo a cada reverso

ondas: viagens e viajantes também
sentidas e sentidoras
por interlúdios o sabor de alguém

Passos

passos profundos no continente de si desconhecido
passos cadentes e flutuantes em alegrias
foram da luz de maré salgada à luz enluarada de lua nova

passos falantes no sol incandescente
falavam aquecendo uma língua que não se inventa
passos no vento eram passadas no coração do tempo

livres passos da moça e do moço
desenharam uma palavra sem nome na nuvem de areia
passos por todo corpo e no seio de cada superfície

latitudes distintas para passos no mesmo lugar
geometrias distintas e outros lugares no mesmo passo
imaginou-se inteira a tarde como revoada de andorinhas

passando entre o coral de conchas e a montanha
o imponderável passo do oceano e do ar
passos de água e ar a dançarem entre seixos e estrelas

belos dias vividos na morada do passo
passos de relevo e carne
passos nus e feitos de pedra

dentro da respiração de cada passo
passo descalço e inalcançável
passantes os passos eram amantes errando por laço

passos passageiros e passagens
os espaços da delicadeza invisível do não caminho
passos cancioneiros eram melodias caminhando por si


Mar II

abrem-se águas de dentro dos olhos
os mares e as marés de dentro
dentro dos olhos tez salgada de azul

dois planetas nos olhos
dois inteiros cometas e mistérios na praia de areia branca

verões por todos os cantos
de dentro do mar - abraço de terra - os mundos invisíveis
de sons reverberando no peito

Mar

há dança de vestígios no invisível tocante aos olhos

capoeira de infancia que nunca cessa e da sede
festa de gesto e letra
corpos descobertos e encobertos de mistério na praia

de vestígios que em tudo incidem emergem brincadiras
a peripécia da pensação
ciranda das peles à lua e ao sol

da praia de uma cidade devastada pela cor
fez-se criança novamente na solidão ardente 
de  um  mar

Tempo II

tem tato largo
tem teto lento
teia que norteia
é afeto enluarado
romance de evento

tem fundo raso
tem gente fora e dentro
atraso do ocaso
é borda sem beira
entre sem fronteira

tempo é coração de quem mora e não se demora na hora da razão

Tempo I

tempo de vozes
e às vezes todos eles
todas elas velozes
horas caudalosas de zelos

tempos ao lado da ponte
dois lados de uma fronte
a frente e o fundo do ente
de tempos aondes

o silencio entre as peles
festa do sentimento
o silencio entre as mentes
tempos são cirandas transparentes
tempo e som se esculpindo dois a dois

as vozes do tempo no silencio do pensamento
mais que corpos espaciais
sem fundo sem beira sem entre

Epifania

abaulada em vestido
repousada pela pele
sintonia no alarido
meio dia luz compele

vem secando o chovido
vem pintando de amarelo
irradia na libido
maresia do singelo

adorando olho e cabelo
festejando orvalho inteiro
relevo de tez e de zelo
enlevo de corpo e de cheiro

flor por acidente é a gente
amor que de repente é enchente

Segundo do cajueiro

morri certas vezes pelas passagens e por todas elas houve viver

por todas elas passageiro é verbo luminoso e mensageiro


viver é morrer e morrer é viver

como passagem necessita do que não passa para ser

como tempo que é vizinho do nada


para a morte e para a vida os tempos são detalhes

e sem detalhes o relevo do todo não vigora plenamente como mistério


viver e morrer são detalhes e são mensagens por toda passagem

Passeios

o que se espera?

o Sol de todo dia e de toda noite

as nuvens em suas alegrias pelo azul

o sem ar de toda gravidade

as vidas escorrendo de dentro para fora e de fora para dentro

a luz de toda palavra na tez da terra profunda

o velho sendo novo a cada vez do sendo

passeios nos corações


esperança é entrega desinteressada ao inesperado