passos profundos no continente de si desconhecido
passos cadentes e flutuantes em alegrias
foram da luz de maré salgada à luz enluarada de lua nova
passos falantes no sol incandescente
falavam aquecendo uma língua que não se inventa
passos no vento eram passadas no coração do tempo
livres passos da moça e do moço
desenharam uma palavra sem nome na nuvem de areia
passos por todo corpo e no seio de cada superfície
latitudes distintas para passos no mesmo lugar
geometrias distintas e outros lugares no mesmo passo
imaginou-se inteira a tarde como revoada de andorinhas
passando entre o coral de conchas e a montanha
o imponderável passo do oceano e do ar
passos de água e ar a dançarem entre seixos e estrelas
belos dias vividos na morada do passo
passos de relevo e carne
passos nus e feitos de pedra
dentro da respiração de cada passo
passo descalço e inalcançável
passantes os passos eram amantes errando por laço
passos passageiros e passagens
os espaços da delicadeza invisível do não caminho
passos cancioneiros eram melodias caminhando por si
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