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Pra darias

o que não estanca
voa
que não voo
alcança

o alçapão
as marés índicas luas
locas loucas
louças estampas
em nuas estrelas
nuances roucas
as ruas
tampas

as cruas os cus
as frias 
as fritas
cruéis ternuras em concreto
se não bebem
mamam
leite 
biritas

e se não amam
amam

as suas
piritas




Os outros ventos 2

outros ventos
cheganças plenas do que não cabe
num sentimento de ventania

alegrias sem peso
como infâncias desvairadas

quando ventar parece viver
a transa de um sorriso alísio
ou de um sul sereno e futuro

passam e ficam estes ventos!
ser invisível entre carícias
a vida das vidas
as vidas dos ventos

vento carrega palavra gaivota coração
além do cais e do céu
latifúndios de cirrus e proas

aproado em ventos permanece vir a ser-ventar
no oco do ar habitam curvas cinturas
seus espelhos temperaturas
meninas e meninos apaixonados
em in-ventar

no oco do ar que mora e salva tudo
na oca de ar que implode cidade e corpo inteiro
num antes de soprar os infinitos mistérios
num depois de sarar remorsos delirantes

vento salva sem direção
amansa sem ter mão
sexo feito mar em sal
pelas veias e vias
peles ou nortes

vento deus!


Os outros ventos

a vida está no rabo
de um rio
na sede do verde

na cidade
ventos não são mais ventos

outras vezes dava para ir até
quando se desaparecia
agora
mudam-se ou ecoam
espíritos e planetas

a vida dos morares e dos não morares
é o que está pulsando
em flor
em antares
pelas veias vielas

do alto do muro ouviam-se alguns meninos
a vida permanece no que já não existe

os passos velozes e vagarosos
eram passos em estrelas
nos nadas e nos tudos

como exclamou uma jia:
nada é o mesmo e tudo é o mesmo

enfim!
o amar que não basta e é bastante
realidade que se escapa e se encolhe de si
serenas passagens
inovadas paisagens

inventam-se entre humanos
amores cataventos usinas e jantares
inventamos o que não existe e o que existe
inventar basta?

pelos passeios
a cidade que já não há
desinteresse movedor e movediço
do interesse
ou o mergulho
na água azul gelada quente

sem rumos
as vidas estão arrumadas
com a vida das vidas
com ventos dos ventos

às rosas
para sempre



Samba de quarta-feira

de lá vem ela subindo
bom não saber um pra que
de viés tez e seus trilhos
festejo de sal e o erê

já que hoje é quarta feira, iô-iô
quem se toca, vão saber
me jogou iemanjá céu e flor
um benzinho, querer de iá-iá

acá tem só um sentido
do revés tecer o bem vindo
meio dia, mar, andarilhos
tempo de concha a nascer

ainda hoje é quarta feira, iô-iô
derivar é se encontrar
preparou mãe odoyá coração
direitinho, fazer pra iá-iá


Feixe

há a palavra que desaba
outra que é aba
abc ou bê a bá
umas que não enchem copo
algumas corpos
aquela voa
voou
apaixonado

há um samba que caleja
outro feito peleja
dar em olhar quedou
uns e outros romances
novos olhares passados
ovos ou antares
sinfonias e meninas

encaminhado voa um sonho
qualquer resquício é lixo
querubins das esquinas
dizem tempestades ou palavras chuvas
vovô viu a vulva
é pôr do sol ou res plande ser

"a nossa turma"
diria o bom amigo
"a nossa curva"
é onde encontram-se caminhos
ou nas polpas das nuvens
ou nos bateres de vida
no cais
passarinhos
as bolhas e bodas

as pontes das realidades abertas em grande caos
ensinam o impossível da poesia e pra gataria
mentiras e destroços
são coisas poucas
o sentimento ganha sua madrugada
e brilha
outro céu na lua
ou no céu
da terra

sentimento que basta sentir
prazer que basta prazer
um beijo
outras folhas ou delírios
estribilhos
que as luzes precisam falar
o que palavras não são
que a luzes precisam escutar
que palavras todos são



11

voamos para casa
últimos assentos em mãos
as pelejas e os presentes
no saguão

voltamos
na tarde abafada sem fotografias
sem terra e tanto céu - ternuras e urros
até sexo se fez
no balão

quatro horas da tarde brasileira
outros analistas ou querubins
entre Vitória e Caravelas - nãos
dei-lhe beijo
acalmando-lhe as mãos

voamos para onde amamos
entardecer invernal em pleuras
as loucuras e as respirações
dor que deseja dissipada
nas idas e nos dares
todos os ares as palavras e as vidas
cartas em pares

voamos para a asa
céu de outubro ou julho
qualquer romance ou engulho
no avião

planamos agora
para mar em vão
os ombros
costeiras
as nuvens rios
em tãos

os tontos
as turbinas
os nadas
coração


Sem definição

por entre fios
uns finos outros fáceis
se tecem as vidas
os jorrares e os sabores
as águas, indizíveis, andores

por entre filetes de luzes e cabelos
ardentes ou pálidos átomos
de miudezas anônimas e loucuras estonteantes
fios existentes que ultrapassam medidas
fios imensuráveis de lado a lado
de largo a largo
de fundo a fundo
são fios invisíveis que sustentam real

que seriam estes fios?
as alegrias?
os impossíveis?
os reveses?
fios da aranha?
fios de estrelas?
fios de peles?
os fios são frios ou rios?

por entre fios
uns tinos outros voláteis
nascem vivem e morrem
as rosas e os horrores
mistérios, grandezas, belezas
infinitos, quadris, planetas

por entre fios
das terras e das nuvens
navegam pássaros e alísios
até o invisível chão onde mora céu
até o invisível céu onde mora chão

palavras que em pequenas coceiras
nos tocam o corpo inteiro para além do corpo
palavras malditas
palavras que habitam existir
palavras sementes amorosas da solidão
ou grandemente as inquietudes pequenas
que como fios
se emaranham pelas palavras
fios do mundo
para nós que dizemos "falar palavras"

mas há mais palavras a se inventar que a se dizer
embora seja a terra, tecnificada, este mundo
embora seja a terra de todo mundo

o melhor são brinquedos ou brincadeiras
as inocências e os ventos
bobagices, onirices, restares
a poesia está aí por que também tem que estar passando e restando
gastando e engastando realidade



Nós e as estrelas do mar

as eclípticas as galácticas as escalafobéticas

chegam ao sul nuvens que trazem boas notícias
ou simplesmente árvores
os astros em pulsações eletrônicas
alinham-se e desalinham-se ecoando
outra vez mar de baía bebendo-me

por dentro das mãos na terra tocam-se outra mãos
e os corpos das bailarinas são ventos animados
os vãos e os aviões chovem ácidos ou inocentes

nas galerias desta cidade noticiam
que o que salva é susto é nada
caos oásis cal de pedra e prazer
de onde brotam das luzes os vagalumes cultivados

dois olhos apenas
salgados e encantados de beleza e caminhos
(na praia)
de dentro do mar avista-se salvador
embaçada avançando os oceanos
são duas horas da tarde e atola-se o trânsito

há a partilha das conchas dos dedos
viveres sentires quereres
das estrelas e seus sexos à mar


Ondas

ondas sem tamanho e loucas e harmonias
atlânticos corações
freios de bocas dos quadris
a palavra a um triz de pular papeis e pedras

ocas vagas, plenos sabores de sais em seis
os tamanhos diminutas e em diamantes
alteradas, sentidas falidas ferozes: roucas

passos inocentes pelas calçadas da praia
vida vem só para quem vi e ver
o cão da rua late por que lataria
e o ia é por conta do vivo, passarada

ar vorada, voando pela carne e tez
chove rio e riu, lago de lado em todos oceanos
lembram que sonetos dos beijos são lidos lindos

Dentros e foras

céu da tarde profundo de azul
está a vida nas cores e nos peixes
cheganças
os sóis as galáxias
coloridos ou nuvens
as ondas horizontes
amores fali-dos
vidas por todas as vagas

há uma hidrelétrica
há uma poética
há uma pílula
mas está no jornal:

as gramas
ou os verdes
ou os graves
gravidades ou abraços
sol de todas as cores
profundas invenções e inventoras

no céu boiado de azul
céu em baía visto de dentro do mar
de todas as cores pulsam os mundos
dentros e foras