a cheia lua de outrora
não é a meia lua a meia luz
de agora
que reluz lá fora já no outono
que veio uníssono sem demora
lua navegante de marfim
em céu azul safira
é um fim de verão
e do calor de sua ira
é uma lua fria afim
de estrada e de dia
ao ocaso por fim
clareando vagas da baía
que derrama no índico sua luz
e em mim
todo dia poesia na lua
atoa e crua
flutuante andarilha pé ante pé
sobe há três dias minguante
não é a mesma
nova
paixão no coração da amante
noite de trovoada e revoada
de raios
um cargueiro arribou
mas aonde está o amado
alado em seu cavalo
que não se iluminou?
um vestido conto
redito de fada
o vento e o nada:
feroz humana idade única e veloz
lua elétrica dona da madrugada
num sideral humano
habita o tudo e o nada
Thiago Lobão
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