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Mani-infesto (ou) da Douta Ignorância

ignore um presidente
ignore quem diz e não sente
ignore quem se quer fazer ausente
só não ignore quem dizem ignorante
o pior inteligente é o que no outro
não vê horizonte nem ser diferente
o pior ignorante é um presidente!
lave as mãos bem e leve
mas não por e com indiferença
dê um abraço pelo pensamento
até em quem não conhece
e com ciência 
que todos juntos já somos um
há muito não se esquece-merece
a pior doença é falsa crença
e pacifique seu sentimento
o vírus está no vento
não em seu coração
a ignorância pode ser do ignorante
ou do ignorado
na dúvida fique em casa
e acasale alí ou ao seu próprio lado
isso não é egoísmo
é fronteira entre liberdade e abismo
esteja paciente e agente
em olho de furacão a tormenta é dormente
mas ela passará pra deixar refletir
quem é gente?
milhares de vítimas a se esvair
lembremos com centelhas os sonhos
das esquecidas duras penas dezenas
que em suas eternas quarentenas
ainda podem e respirarão em poemas...

Thiago Lobão 25/03/2020

As luas...

a cheia lua de outrora
não é a meia lua a meia luz
de agora
que reluz lá fora já no outono
que veio uníssono sem demora

lua navegante de marfim
em céu azul safira
é um fim de verão
e do calor de sua ira
é uma lua fria afim
de estrada e de dia
ao ocaso por fim
clareando vagas da baía
que derrama no índico sua luz
e em mim

todo dia poesia na lua
atoa e crua
flutuante andarilha pé ante pé
sobe há três dias minguante
não é a mesma
nova
paixão no coração da amante
noite de trovoada e revoada
de raios
um cargueiro arribou
mas aonde está o amado
alado em seu cavalo
que não se iluminou?

um vestido conto
redito de fada
o vento e o nada:
feroz humana idade única e veloz
lua elétrica dona da madrugada
num sideral humano
habita o tudo e o nada

Thiago Lobão


Despertar inesperado

o vazio no peito
se ocupa de poesia
água quente
pele fria
um aperto do sentimento
que desata e liberta
do unguento
fúria e imensidão
num alado coração partido
quando vier a calmaria
serei onda corrente
e me molhará novamente
o olhar de alegrias
e cumplicidade e confiança
a quem merecia
vão se espraiar em outros cantos
e cantorias
quando a satisfação des-quer
com a dor não briga
duas faces do mesmo querer
que pra viver bem
não basta bem-querer
navegar é preciso
pra derivar e se in-ventar
é necessário
bem fazer a quem faz
e bem dizer a quem diz
a bula para o amor
é sempre dele ser aprendiz
até quando o des-amor ensina
quem merece nosso fruto futuro maduro
de raiz

Thiago Lobão

Todo fogo já foi nada

pisei em fogo
ele me queimou
mas não me consumiu
em sua luz
deixou memória de calor
e de frio
iluminou
aonde des-gastar
que cor vestir
o que cerzir pra deixar
ventar e res-pirar
o des-caminhar
pra sentir partir e achar
foi chama-do pé do périplo
guiar e cegar de pirilampo
preâmbulo ambulante
de temperatura assaz escaldante
na minha tez surgiu
uma nuvem flutuante
cicatriz enfeitando a calmaria
e no meu passo nasceu
fogueiras in-constantes
fogo lugar de ar
água e terra podem ocupar   Thiago Lobão
                          

Ventos de verão

céu de verão
espelhando o tempo
num monotemático sentimento
de um animal terrestre e terreno

acende em cores a noite em seus temas
acena negro brilhante das estrelas
em suas vidas refulgindo
e na minha face o mesmo vento de outrora
na face de Heitor
e na do malfeitor

nuvem que no céu é balão
as boas feituras das reciprocidades
de e com amor
e as bem venturas do sim e do não
pelas cidades

céu de verão
da epidemia da euforia do carnaval
um vendaval de alísios no equador
e os alisos da brisa entre estações
entre o ser e o sertão

Thiago Lobão