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Caras e caros

a cara no sol 
não é cara a tapa
e pode até ser
desde que não seja tapa na cara
tem um sol em cada cara
e tapa é destrato
se for para tratar
que seja cara à cara
não ter cara é que não é de nada

o amor próprio é o que vale a cara
feche e abra sua cara
melhor uma cara na sacada
do que infindas confinadas
dar as caras não é ter várias
melhor uma só compartilhada 
pois hoje a cara é rara
de cara a cara é mais cara?
tem um sol em toda cara

Poema mortal

meu nome para fora das bocas de outrora!
imundas mundanas dos bueiros do mundo
melhor o meu silencio
melhor que cuspam as verdades
que antes deglutiam
mas não em mim

minha história correndo distante daquelas de outrora!
são outras até que enfim!
e novamente intento
que a mente não minta
enquanto o braço mira abraço e sentimento
transmutar em poesia

para que saiba que até sentir é demais
ao sol ou ao relento
que tudo o mais já é resto
e que o que resta é o que resiste em ser
que esse coração falante é mais leve que pesado
que só vida medirá o vão existente entre razão e afeto!

Salve

o mar salva o peixe
o sol salga os sexos

o mar quebra na beira
água e luz furam clareira

vem do mar o que alimenta e sede da
é quinta feira do mar meu amor virá

e a tarde sustentada no seu vestido
a paisagem do invisível do ainda não dito

brisa de maré vem para nos molhar
e em brasas dois corações derreteram um mar

só a mar salva

Matinais

para onde vão os vãos dos minutos?
a manhã trans borda bordas de horizontes e pelos
[seus pelos; ora arredeios ora adormecidos;
logo era hora de se ir]
para onde vão os tempos e não tempos?
até a indiferença e a incúria que são sentimentos
até onde irão?
para onde vão as moléculas, as boiadas, os gozos?
(aqui registrada a minha anonima fé li cidade amanhecida)
[sonho: um devaneio de que estava entre o prumo e o rumo]
que o que seja emitido possa sempre retornar para o seu emissor!
e que as emissões sejam na justa medida do que não se mede
[pois vivemos na barbárie da banalidade do espanto;
a pergunta deveria ser: por que há algo e há nada? e não: "por que há algo ao invés de nada?"]