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Observando

de um vento acontece o que está por ventar
a arquear perfumes da noite

lua e júpiter numa arquitetura de velocidades e brilhos
dança do invisível viver

da terra
avista-se próprio olhar solitário solidário a tudo
avista-se brandura e palavra ainda por se avistar
tempo morrendo e morando entre tudo

vento e chuva impossível e implacável das luas
numa calmaria azul está o vento se inventando
e júpiter à sua companhia parecido com o que é perto

ventania no passo e no espaço da lua

Interlúdico

por intervalos de céu à sol
de nuas às luas
encantamento que tudo adentra e perpetua

resistindo da corrente ao ente
para sempre do mesmo à deriva
inflando-se de ar pelas ventas

novo a cada vez faz aceno e acento
dentre um nada
até a beira do vento

daquele mar sem fim de gotas sem fim
bebia-se a própria sede
como da primeira vez não de coisa mas da tez

novo vinha com velho no ovo
alarido repetindo um outro
emanando vida por tudo a cada reverso

ondas: viagens e viajantes também
sentidas e sentidoras
por interlúdios o sabor de alguém

Passos

passos profundos no continente de si desconhecido
passos cadentes e flutuantes em alegrias
foram da luz de maré salgada à luz enluarada de lua nova

passos falantes no sol incandescente
falavam aquecendo uma língua que não se inventa
passos no vento eram passadas no coração do tempo

livres passos da moça e do moço
desenharam uma palavra sem nome na nuvem de areia
passos por todo corpo e no seio de cada superfície

latitudes distintas para passos no mesmo lugar
geometrias distintas e outros lugares no mesmo passo
imaginou-se inteira a tarde como revoada de andorinhas

passando entre o coral de conchas e a montanha
o imponderável passo do oceano e do ar
passos de água e ar a dançarem entre seixos e estrelas

belos dias vividos na morada do passo
passos de relevo e carne
passos nus e feitos de pedra

dentro da respiração de cada passo
passo descalço e inalcançável
passantes os passos eram amantes errando por laço

passos passageiros e passagens
os espaços da delicadeza invisível do não caminho
passos cancioneiros eram melodias caminhando por si