Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

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Infinidades do sentir

da tristeza e da alegria
surge uma gruta de solidão bruta
a solidão de constelações de estrelas

da tristeza e da alegria
brota uma horta de fome e plenitude
uma luta em paz entre breu e luz

da tristeza e da alegria
jorra uma sede e uma conduta 
de nuvem e de grave e de pedra e de leve

da tristeza e da alegria
verte a velocidade imensurável do viver e da inércia
a cada segundo que paira se desinventa e se vive contentamento

da tristeza e da alegria
escorre o pranto profundo da alma que se lava e se bebe e se come
da pena que se leva e se escreve num vento temporão

da tristeza e da alegria
rola a felicidade anonima daquele que não se presta a alardear
o complexo ou o óbvio de qualquer sentimento

sentimento é talento e é sentir 
o tato lento do ir e do vir
diz o que não é de dizer e ouve o que não é de ouvir
com todas as gentes 
com todos os entes

da tristeza e da alegria nascem infinitos sentimentos

As trapaças

são hipócritas à sua porta
servos de seu ambiente
sonhadores de seus sonhos
os sentes dores de suas cores

quanta gente anda por aí
a ser o tal e a ser o se?
tanta gente que não entre gente!

tanto ser no contingente do ente
ou num até "lógos" que mente
num despovoado continente de si

são vivedores do não tente
das cristas pintadas de tirania e de rir
entre umbigos archotes e suas correntes

um fardo que não é puro osso
verbo que não é dorso ergo

sugadores de pá e ciencia
na corda inteiro o pescoço

vivem na terra de cuca
erram no cuco do nunca

aço em pó de denúncia
solitária e vazia permanencia da essencia

fingem o gen e o dar
planam e gerem sem gerar o passar

traições estão perto e estão longe
são os destinos dignos da fronte
são aondes e signos a afundar

Voo das horas

asa é o que passa
é de aço
é de verbo
é de verde

ar é o que passa
é a brasa em seu ato de giro e suspirar
perpassa o passo e assa o tempo
esse périplo pirilampo
sorridente fluidez do habitar

voo é o que passa
ultrapassa o planeio e o plano
um monolito de nuvem ou um levitar
sem o pássaro super ar
o alvo
o erro
o errar
o pássaro não
esse inteiro planar inteiro de ar

relevo leve dos pés
relva nevada das mãos
ou a passagem do passageiro
passam
as patas
os rios
as atas
os fios

o que passa fica passando
paisagem das horas
o que passa aparece e desaparece
desparece o que é
o que passa é surgir de sempre
nas passagens

O que surge

sem paradeiro é o gostar
não tem por que
é só o que se quer achar

dos rumos aos remos
se inventa um dar
que ao se receber se inteira o ser

navegar é preciso
viver é ver o riso
errar é impreciso
vagar é precioso querer

sem paradeiro é o gostar
viaja de bobo em boca
até pleno der amar

das praias às dunas
se vai a um vento
que é oco e é talento de permanecer sem ficar

5 minutos

indo finda a nuvem
inda é a tardinha
inha linha deslinda a ilha no horizonte

a fronte é onde
zênite
e no zoio de ozônio brota
travo cravo
no donde do vindo
do bem indo lindo






Sorte

amor que é c ego c ego
amor que é n ego n ego
a mor que é a mor s erra

torto horto outro 
é ethos

e des pega
amor que é pingo e é elo
num mar de amores num mar
g ota no m ar

amar que a f ora sem flo ora
de d entro pra f ora
do f ora pro d entro
dah ora a o en tre

Quimera mucambu

Decantar pelos espaços comuns e nos íntimos confins
a delicadeza dos sons da hora do agora.

Simbiose de vidas sonoras,
de gestos, de tons, de traços, de sins

Mocambo, morada:
nos habitando um verter e um inventar.
Um pulsar de coração.
Transmitir é ressoar um invadir a inverter o dizer e o escutar.

Quimera, esfera:
de coexistir real e irreal em unidade,
de mover e transcender múltiplo de singularidade.
Por cada corpo: o movimento, o invisível, o oco
Por cada corpo: o sentimento, o ritmo, a terra

Tessituras e arquiteturas ambulantes.
Seus surgires de estranhezas e batidas.
Suas engrenagens de indizíveis e chumbos.
Seus saltos de melodias de pessoas.

Ciclos, organismo, carrossel de criações,
Onde o susto habita a liberdade.
Confluência de surreais paisagens.
É como textura intocável das orquestras do vento.

Pirâmides e tendas às praças!
Luz e espalhares a quem pisa de graça!
Uma misteriosa sincronia de contatos!
Em cada mocambo um escambo de gentes!
Em cada quimera uma utopia à vera!
Em cada ser sua melodia de vir a ser!

Caminhos

são caminhos de vida
aparecem e desaparecem as vidas e os caminhos
não há de apressar a nuvem
há de temperar o horizonte

o futuro é maduro fruto quando o agora a cada sempre vigora

a vida é uma paisagem
é um desenho
é um rascunho
é um barulho
é um baralho

Passeio de barco

dentro do ritmo
uma árvore
um istmo vivo

dentro do ritmo corações em formas de ritmos e istmos
eram nuvens em forma de conchas?
os corpos voadores

no fundo todo corpo é rasoprofundo
uma ilha uma baía uma nuvem

vestígios e mistérios são eternidades

tudo é veloz e veraz e aflora na linguagem dos ritmos vivos

Tempo dos tempos

tempos vestidos de nuvens
era passar tarde em árvore

morar no deixar

os céus ora brancos ora azuis ora cinzas

chãos impossíveis

ventos vestidos de vidas
a beleza do sopro de qualquer tempo
oco e ao mesmo tempo cheio

Bicho solto

faz que é mas não é
desse jeito viver des-apraz como pode moça, rapaz saltar sem deixar ter pé no que não para em pé?

como pode moça, rapaz querer desdizer
um nó que não diz amarrar?

navegando a ser navios
se é banho, se é rio habitando é libertando pela beira, pelo fio
horizonte não é oco tem escuro, tem pavio

deixa o bicho solto ele é dele, não é fixo deixa o bicho solto amor livre e sem capricho deixa o bicho solto deixa o bicho ser o bicho

Marulho 2

é a flor que sopra o vento
é a cor da cor a insolar paisagem
é a volta é a ida circular passagem
é o vento querer sibilar horizonte

de dentro das horas as flores
entre nuvens os amantes
nascido da invenção é espanto
da flor viva atemporal que insiste

entre olhos ou pedras as calmas de desejo
por dentro do mar o mundo
de dentro do mundo o mar

Paisagem das horas

                                                                                                                                           
                                                           Para M.C.
na beleza do que aflora
a paisagem das horas

transformando miudezas em encantos por cantos

o que resta é por que restou a tudo
é em tudo
a nuvem
o sol
este planeta
e as vidas
                    

A tarde

mangueiras e luas crescentes
seres ardentes em verdes dentre linhas e linhos urbanos
no topo silêncio de ventos
desde raízes respirantes até invisível da terra
a tarde numa nuvem em cima de uma árvore
jatos, sonos e passarinhos
corpos em seus semblantes de tronco
pensamentos eram balanços
intuições de nada e de gravidades
as inércias mais velozes e leves num borrão de azuis
no cume com folhas
aonde ela começa?
aonde ela termina?
por ela estações e altitudes possíveis
namoradora de alísios e pés
oásis e desertos

Baianas

chuvas
seus estragos e delírios de deuses
curvas
caminhos de dentro dos traços
turvas
belas em seus leitos de vento

chuvas

seus banhos insaciáveis de sede
passos gota por gota dentro da noite
gota a gota tudo adentro afora
afloradora de rios
a benção serena da terra
as festas as danças

Casal na praia

lua de fogo
nascente entre nuvem e tempestade
na orla

um oitavo de seu cadente do outro lado do horizonte
um cair ao alto em pluma a gravidade

o tempo se superando
os metatempos e metafóricos por ai

amores bem amados
imponderantes e curvos como rios
os físicos e os metafísicos
os amáveis e seus aondes

Mensageiro

dar-se conta do tempo
é dar-se ao tempo que nasce
importar-se ao tempo é aproximar o inesperado
que fulge em escuro em nada 
no esparramar-se do ar
transportar-se de esperança
da luz ao nada

a um tempo que não presta contas
não se dar conta do tempo é sorrir ao revés inanimado
é gozar um tempo que não se da
pois incontável
nem que se esvai gota a gota em eternos
dar-se conta do tempo é cuidar das passagens
habitar o passageiro

É outono

a calma insaciável das utopias
das horas
das velocidades

era a mesma na alma
o que se é depois de já ter sido

branduras em fúrias de traços
horizontes
sementes
infâncias a perder de vista

as infâncias
falantes por todos os lados
os queijos
as fontes:
essas calmas incansáveis de vento
o sendo de qualquer sido

Arveres

se o ar desejar
deixa soprar
se o fogo arder
ar de dourar
se ar lhe faltar
há de ser ar em qualquer há


Por ondes

frestas
brechas
abertas entre planetas
ou entre as pernas daquelas cordilheiras
ou entre tramelas de horizontes

beiras
gretas
ou gestos de ventos aondes
em ilhas tendas
tenras terras circulantes

ou entre as rachas
ou entre as plenas funduras de tudo
ou entre os corpos de sulco

ous e es são mesmas coisas

grotas ou grutas de ser
gotas falantes
vidas inteiras de és

bem vindos sonhos
habitats e habitantes


Virações

fim de verão se aproxima
os ventos os outros
dos ventres da terra aquelas manhãs enluaradas
depois do verão alegrias de outono
luas altas ao final dos dias
marés cheias inflantes
acontece origem de verões


Horas da tarde

vidas das imagens
as palavras invisíveis
o que não era cabível
continha algumas paisagens

como num sonho torto
uma floresta de pedritas
como num lodo todo
há vegetações de águas

o dia 
navegador de bichos e ventos
o dia
igual a ponte ao impossível

um dia antes e depois do outro

num dia que era bastante
cabiam nadas
ou ses
ou sis
ou horizontes




Os passeios

pela estepe de conchas os fios
aos mares
às cabeças
ao nada

o que eram cheganças agora eram outras
feito virações:
infinitas diferentes

a trilha do mato
o caminho de pedra
em sonho:
um circo boiava no horizonte

horizontes?
se não estão nas frontes
onde estão?

como frentes aladas
alísios nas mãos
pela história dos ventos inventavam humanos
seus ondes

sopro sem horizonte
aqui
em sentimento
ou num gozo

ao tempo
à vida
ao verbo

nos passeios de areia

Chuva de beber

hoje
ao invés da ode ao tempo que ninguém pode

é zumbido é gente
estampa estampido libido
través de raio
revés de nuvem
vento nublado ferrugem

é passageira é caminho
em cadas inteiros moinhos

gole
ao invés da ode ao tempo que ninguém bole

Ale

hoje é o dia
quinta já é carna

ou carne
ou karma
com cá

de quero

hoje é o dia
que espero

Erradio

mundo antigo é sinal das estrelas pelos corpos as manhãs transbodantes em cantos novos anos ou outros tantos amanheceres?
ambos na ciranda das vidas dos siris nas conchas dos tempos de eterno: os minutos ou sorrisos ou nada mais

Os mares e as marés

transparências pelas conchas
de dentro delas
a transparência de mundos

multiplicadas as águas
fez-se incabível contentamento
ou uma maré nova
a cada instante

o fio de prumo torto apontador de todas direções
desentendia um vento na enseada
em seu passo estando

multiplicáveis múltiplos
ondas numa praia ou gestos

o peso inatingível da rocha a praia era
toda água