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Manhã e noite

manhãs entrelaçadas dentre outras
feito sexos ao vento
ou entranhas de horizontes

manhãs reluzindo dos escuros
de um ventre põe tuas sombras
em bailes
em caules
de flores

noites anunciam suas planícies de estampidos de grilos
enquanto amores e horrores curvam
terras raízes galáxias

noites do pó ao pé
lambendo indizível preto lunar de chumbo
anoitecendo sementes ou inefáveis
e favos de solidões
(solidão de um inteiro continente)

dia é noite é manhã
em vielas de gotas e espaços
luminoescuro
lâmina de ouro de preto
verdescuro de sol inteiro

noite infinda no corpo da manhã
manhã inteira no oco da noite

assim vagam paisagens
dentre poetas sem dentro
mais aforas em centros

passam assim as horas sentimentos
fora de poetas vagabundos
sem tempos de vento
no caule do coração
rebentos

são tão vivos jardins de estrelas
correntes marinhas
brilhos ou cios
alísios ou cores

chuvas na borda de atlânticos
molha e seca o distante e o próximo
são as noites são as manhãs
que ao emergirem aos dias
submergem no mistério de um durar
caduco e imponderável
ligando por cada rotação
o sem entendimento
o sem explicação
o passar dos dias
e dos jasmins


Vagar

dentro
pelo entre
voar e voar!
sem asa é a liberdade:
todo ar

o que se faz é azul
das mãos escorrem vivências
até água de mar

madrugada valiosa e vagabunda
é punhal colorido e sem tempo
que fala

que corpos não se contam
se estancam e enlouquecem
no sem fim do sim
num areal

do parapeito avista-se navio
e outros mundos descontentes de seus moinhos
por uma ponte vestir-se caminho
trilhar invisível é ainda navegar na bonança do sol

sobre feito
amansar o peito e acender 
o sangue

sobre dito
cantar à lira
o sono das palavras

sobre infinito
refazer estrelas e esteios
em infâncias diárias

sem finalidade é a terra onde habita jorrar da vida
bem como aquela flor contra um muro:
em sua paciência salva-se urgente delicado
o que não se constrói

atrás de pálpebras paupérrimas
dorme toda a luz
dos insanos
seus olhos incendiados
ciganos

Nossa manhã

ao oco de pé
ao lado em caco
um aço
dois bons

querer
basta
as nuvens deste dia
tão lindas
tão brumas as umas
os lindos e cachos

estamos vivos na praia
é lua cheia
é agosto
dia de festa
garganhar
é amar




Roxos

roxos até intensas folhas
roxas às enchentes centelhas
as rosas e as ancas
beijos e telhas
uns ancas
muxoxos

os pós finitos indos
as pás ventilas grãos
os amores e um pão
as dores
cerradas aviões
e lindos

tantas rochas em ar
res e pirar
tom e pilar
tim espraiar
em colunas de estepes
moças mochas e ças
navegando um ando andar
de cães

bocas ecos
em papagaios ou galhos
quadrada manhã
os alhos de olhos
cambaio
bugalhos botecos
fazem sentindo
em indo de tindo
em regatos
vestidos
chuvas de balaio