Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

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Dois

os dois que nem sabiam
eram muitos
erradios
era ou erram 
desviam
tantos fios
de seus encontros
em olhos fechados 

sorrisos marginais
nos mercados
os quadrados
em varais
foram tontos
ora tantos
ou beijos
em cartaz
nas galerias
afloraram
alegrias

os dois que nem se atinham
se aninhavam
duas poesias
entre gaitas ou pianos
qualquer som no coração 
às mãos e às peles
os anos
ritmos de tambores
dos tons dos pés dos sims
eram como dois
querubins
ou amores
já amantes


De tudo

dentre sentidos
fios da manhã
vibram vida e morte
vidas e mortes

dentre tardes
dentre noites
quandos 
tempos que sobram indiferentes
são amantes são existências

mais metafísicas irão se fazer
ninguém será o peso de um sol

entre nós e as cidades
memórias e aonde é feliz

o que não existe?

por entre frestas
de sonhos
há notícias de sonhos
que me e se sonham

o breve e o jardim de inverno
ou outono que se lave
a chuva de maio e a de junho
sorrir impossíveis e ser alguns

até depois de onde se brincam palavras
e nossas infâncias

não 
há saudade
há futuro
por tudo

Qualquer um

o que afinal de contas se levará daqui?

será um punhado de terra?
seria uma sereia poesia?

serão muitas vidas que se encontrarão?

viver o que interessa
impossível é o que dizem
vontade é o que se é

da vida levarão-se todas as coisas
até o daqui
no final das contas
há vidas que habitam mortes




Segundo

à janela
passarinho vem esperança
aqueles ventos também
em

outras coxas
deitam-se as vidas
as moças
aos mares

vem das cheganças
que leva-se
lavam-se
ancas

beijos tortos
às ventas
inventa-se
o que se pode

e o que não se ode
se silencia
ou estanca

do que se poda
é que nascem meninos
alados famintos
suas asas apenas
quereres
importa

às janelas
qualquer intenção de inverno
frio que é para todos
amansam os ires
bailam as iris
olhos à porta

osiris
salvando
bem vindas
aindas

pássaros e amores


Quem?

uma tarde no clube
só duas noites
para amar

aviões em três corpos
corações
desgraçados
sem os
eram pós
em andar

a calçada impossível
unguento tim ou lento ar
estrada rebento
tantos tentos tontos tons
jangada
sentimentos
caladas 
mentiras

tantas iras
antas
risadas e las 

as ilhas as flores
dores matilhas
as bandidas aladas
ou idas fricotes
mascates amantes
até ondes as lidas

qual é que vai parar
as tidas aos montes
delirantes
amar
que não douram horizontes
que vivem tendo
em frentes suas frontes
seus quereres
deixar


Libertação

não há mais para onde voltar
apenas libertar-se
em outras voltas
por ai

onde se amou se amou
e seguem-se os amores
por que não bastam e são bastantes

não há mais quando amar
em amares cadenas
em tontos ares
por ai

onde se não ama não ama
mal dizem os amores
por que não gastam e são gastantes