quando acaba um grande amor melhor nada dizer
a saudade lancinante e falante se anuncia
e o vazio da amante no peito infla de dor e poesia
quando acaba um grande amor melhor nada fazer
deixar que se recomponha sozinha a espontânea sina
em forma de chama que é amar
que aquece e até inflama e que acontece e desaparece sem avisar
e em qualquer lugar
quando o grande amor acabar não deixe que se acabe em você
a louca doce mania de
um outro adorar sem possuir
aguar sem inundar
tornar-se parte sem nunca ter sido
amar sem regozijo ou culpa ou excesso
se o amor acabou é por que já sabe dos desígnios e desesperos de si
das suas delícias e disparates inenarráveis e repetíveis
e reserva bom tempo na leira para boas colheitas
e guarda bom vento na casa do coração
e inventa até borboleta do que antes habitava só o chão
não é para deixar o amor para lá
nem fazê-lo esperar até sarar
nem noutro amor novamente se afogar até se esquecer
pois amar é um verbo árvore e ave
fênix que pode se reconstituir das próprias cinzas em e para qualquer altura
criador de raízes irrigando um profundo desconhecido deserto de outrem
e que tem bons voos para quem o acompanha levemente intenso e suavemente voraz
o amor não tem tempo mas existe o tempo de amar
que é toda hora
ele não tem muito tempo para queixas nem promessas
o amor é uma prática
e ele sem tempo nem espera
é reunião e troca até sem tocar com qualquer coisa
amor não foi feito para durar para colar para calar para berrar para possuir para gastar
é cíclico tal qual astro orbital e se move movendo tudo e nada
e da voltas entre nós em sua forma mais crua de amar-se sem venerar a si
o que é amor?
este nobre vagabundo, esta palavra sem desenho...
quem sou eu para falar de amor
senão mais um em sua multidão colorida de mansas flores indomáveis?
Thiago Lobão rascunhosdesois.blogspot.com @rascunhosdesois
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