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Sambô
Quase carnaval talvez
suspenderam nosso carnaval...
estrangeiro susto cardio-carnal
vide certo dito surto em euforia
há de seguirmos com a razão...
ou em manobrada febril alegoria
que cinzas pode já ser na quarta-feira a raiar?
será que nunca mais será...
orbitando eu atrás de seu sorriso
envolta da barra da luz do farol
ou na praça até o coração do poeta...
para te achar e morrer de amor em você ou
chorar por quem não vai pois já viveu?
respingo do transpassar de nós na imaginação
um contrapé no corpo nosso e na multidão
conduzidos de onda em ondina pé ante pé
vendo padê e o Ilê descer entre nós
de toque em toca sem tocar e sem retorque
em batuque de sinal remoto afro afoxé
sabe-se lá por qual sentimento se foliões ainda
figurando numa avenida ou a sós no pensamento
para lá das chuvas mil de Abril em viagem
ou se em efusiva folia de paisagem infinda
dum bloco a fazer de conta a felicidade
que passou a luzir em nossa vida na estiagem
divertidos do cóccix em vertigem de córtex
como anônimos faceiros transeuntes entrelaçados
a caminho dos caminhos de nossas bocas ou se
perdidos do amor modesto outra vez na foz da tez
já achados sem voz na derradeira anoitecida avenida
de algum pós quase moderno carnaval talvez
Thiago Lobão rascunhosdesois.blogspot.com
Mesmo nunca
Alegre susto
A vez da vez
de vez em quando
explode um silêncio imenso no pensamento
a estepe infinda e sem borda
ou continentes de si
se evaporam pelos poros
alcançam a retina as partículas de partículas
ao olhar de dentro e de fora
semeiam horizontes de anos-luz
e de vez em quando
no centro de um tufão é imensa a calmaria
e na alma do pensamento
o que será que se deu
o que será que se dará?
na dúvida ávida da vida
melhor se dar a se vender
pague para ver só para você
Thiago Lobão rascunhosdesois.blogspot.com