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Sambô

aquele samba que eu fiz
não quero que desvire samba
pra que contrariar bamba
você vai ver...
gente revirando quadril e coração
ente suando até fé e dendê
em qual pé nasceu o samba...
carece calçar se for pra sambar?

não é pra que vire disfarce de pó
aquele samba que eu fiz
porque fazer de ouro muamba
se tudo não vale um só dó
sem contrariar face outra e raiz
e já a um triz da gravação
não é pra desandar noutra coisa...
que não seja no samba intenção!

Thiago Lobão        rascunhosdesois.blogspot.com

Quase carnaval talvez

suspenderam nosso carnaval...

estrangeiro susto cardio-carnal

vide certo dito surto em euforia

há de seguirmos com a razão...

ou em manobrada febril alegoria

que cinzas pode já ser na quarta-feira a raiar?


será que nunca mais será...

orbitando eu atrás de seu sorriso

envolta da barra da luz do farol

ou na praça até o coração do poeta...

para te achar e morrer de amor em você ou

chorar por quem não vai pois já viveu?


respingo do transpassar de nós na imaginação

um contrapé no corpo nosso e na multidão

conduzidos de onda em ondina pé ante pé

vendo padê e o Ilê descer entre nós

de toque em toca sem tocar e sem retorque

em batuque de sinal remoto afro afoxé


sabe-se lá por qual sentimento se foliões ainda

figurando numa avenida ou a sós no pensamento

para lá das chuvas mil de Abril em viagem

ou se em efusiva folia de paisagem infinda

dum bloco a fazer de conta a felicidade

que passou a luzir em nossa vida na estiagem


divertidos do cóccix em vertigem de córtex

como anônimos faceiros transeuntes entrelaçados

a caminho dos caminhos de nossas bocas ou se

perdidos do amor modesto outra vez na foz da tez

já achados sem voz na derradeira anoitecida avenida

de algum pós quase moderno carnaval talvez


Thiago Lobão                  rascunhosdesois.blogspot.com

Mesmo nunca

vento alfaiate de horizontes
costura costumeira maré
até alisa com alísios elísios
ou furiosas bonanças azuis
ao vestir com curtume costumes
de nimbos ou cavadas anis

virando vácuo e vaso na sala
em viração de esperança
dobra da hora na esquina do encontro
e a borda do bordado destinatário
se perde entregue e anônima irriga
artérias trepadeiras de ares a chãos
nossas histórias em sentimento

insufla coração que reúne sopro por você
paixão nunca a mesma talento
nem para mim nem para você
nem para o grego Heitor
amar por que sim amor
nunca sempre um outro rubor
invisível e distraído calor

a galope avança boreal corrente
minuano no outono outrora e por hora
enchente de gente ao poente
feito você descompassada amada
subindo as escadas enquanto
ressoava em meio ao caos
de ares e axés um estranho ano
que amei

Thiago Lobão            rascunhosdesois.blogspot.com

Alegre susto

arrepio implodido na pele é                     Para Clara
pé do porvirá e do já ido sabido
sílaba do resistirá que fala ou balbucia

é o envelhecimento
de tempos em tempo
outra vez
percorrendo e escorrendo do poro ao pêlo
escavado adornado em raiz na tez
passageiro e temporão já tornado
outra estação
enquanto a Terra insiste em saga solar
sideral ser quase atemporal como quasar

diante do espelho permanece
não o que envelhece mas o rejuvenescer
eu mesmo outro noutro lugar mesmo
o gavião a bactéria e a estrela também?
diante de si ou do se
o vívido deixado pro futuro ou pra trás

é uma coroa na maré baixa
corroendo a luz e deixando aguar a vida
ao invés de nublar o céu e o re-estar
do cor-pó
da cor só dum arco na íris
é floresta de corais
é pétala no deserto da mesmice
a alegria de nunca ser a esmo o mesmo
sendo a cada senda
segredo revelado

Thiago Lobão                   rascunhosdesois.blogspot.com

A vez da vez

de vez em quando

explode um silêncio imenso no pensamento

a estepe infinda e sem borda 

ou continentes de si

se evaporam pelos poros


alcançam a retina as partículas de partículas

ao olhar de dentro e de fora

semeiam horizontes de anos-luz


e de vez em quando

no centro de um tufão é imensa a calmaria 

e na alma do pensamento


o que será que se deu

o que será que se dará?

na dúvida ávida da vida

melhor se dar a se vender


pague para ver só para você


Thiago Lobão    rascunhosdesois.blogspot.com