a gota na cara de uma
é tapa na cara de um
alegria em língua alguma
é agonia de rachar algum
sendo é senda no outro
sonho igual pra nenhum
afoga a vida de algumas
afaga a ira de umas
a borda em festa de roda
a corda bamba e crua
o oposto a gosto à mesa é posto
quem quiser que goste ou ponha outro
Thiago Lobão
Versão para a web no fim da página para músicas e clipes
Outras lavouras
(ao avô Paulo)
óca nova
oca de presença
voz no ovo oco
renovada já está sua chegança
a lembrança
anoitecida de tu
pálido, em lua branca:
um tecido ávido de tempo e de dança
um ter sido que o agora alcança
preâmbulo sonâmbulo sem bula
e no fogo clama sua re-finada chama
maré da saudade desconhecida
aonde se encontra guarida
senão na coragem da vida?
aonde se encontra, querido
senão aonde te vejo estrela
senão em seu ataúde estendido?
Thiago Lobão 19/11/2019
óca nova
oca de presença
voz no ovo oco
renovada já está sua chegança
a lembrança
anoitecida de tu
pálido, em lua branca:
um tecido ávido de tempo e de dança
um ter sido que o agora alcança
preâmbulo sonâmbulo sem bula
e no fogo clama sua re-finada chama
maré da saudade desconhecida
aonde se encontra guarida
senão na coragem da vida?
aonde se encontra, querido
senão aonde te vejo estrela
senão em seu ataúde estendido?
Thiago Lobão 19/11/2019
O cisco e o sismo
o abraço do abismo
da liberdade:
são pés que se afagam na Terra
são torrentes que afogam ao irrigar
imenso mar de nada que nada em si
são sonhos que pairam e ventam o ar
são andarilhas de horizontes ora aqui ora ali
a liberdade bruxuleante:
sombria grandeza
anônima ululante
brilho estelar que extingue e fomenta
ora atada a um fruto de raiz
ora ao céu e do infinito a um triz
é uma festa de imponderáveis paisagens
é a tirania das realidades em astronômica gravidade
Thiago Lobão
Casulo
Para Natália
nosso caso é um casulo
uma casa pro futuro
mistério e luz ao ocaso e no escuro
nosso caso casa
sem lugar tem asa
e o voo é uma brasa
que acende
que apaga
entre vontade e acaso
nosso caso é um causo
aconchego sem nexo causal
um inexplicável casual
contato com sexo e astral
nosso caso é ancestral
entre pés no chão
e abraços no céu
nosso caso é de cordel
em emaranhado de peles
se inscrevem os planetas
dessas fantásticas historietas
entres estrelas em carrosel
Thiago Lobão
Thiago Lobão
Planície noturna
o globo terrestre que você me deu
gira ainda e tem apontador de lápis - que nunca usei
para onde e por onde aponta este presente?
(só o mistério do que sabemos)
e a dor latente - agora de mundos caducos - ainda se escreve
alheia aos nossos dedos grafadas em mapas de corpos
por onde andará a terra por onde andamos que adoramos?
enquanto uma insônia corroi a memória
sonho com esquecimento e com viagem de volta
a minha planetária existência
sei que por alguma cidade que não enxergo daqui
passeia você entre a lua cheia e o nada
o globo terrestre que me deu girou
quando o liberei da agulha apontada para a cidade
na qual nunca nos encontramos
aonde me identifico neste objeto voador des-identificado?
Thiago Lobão
Thiago Lobão
Outras visitas
vovô me visitou vivo:
vi verde lindo meteorito
(oito horas da noite numa cidade)
uma estrela fugaz que nos alcança
e a vida que vai explodindo eternidade sem ser
entre luz e nada é
aonde o sentido de viver e caminhar nos habita
uma estrela em seu salto dançante
iluminando de outra luz
uma cidade já translúcida transloucada e errante
e a estrela se implode em sucessivos clarões que mais
são como susurros e suspiros do infinito intangível tecido
do qual somos parte: o Tao, as tais e o os tais
sem o acaso da estrela uma molécula não ocorreria
sem alguma certeza até a vida ao monótono sucumbiria
o que virá depois do depois?
Thiago Lobão 15/09/2019
vi verde lindo meteorito
(oito horas da noite numa cidade)
uma estrela fugaz que nos alcança
e a vida que vai explodindo eternidade sem ser
entre luz e nada é
aonde o sentido de viver e caminhar nos habita
uma estrela em seu salto dançante
iluminando de outra luz
uma cidade já translúcida transloucada e errante
e a estrela se implode em sucessivos clarões que mais
são como susurros e suspiros do infinito intangível tecido
do qual somos parte: o Tao, as tais e o os tais
sem o acaso da estrela uma molécula não ocorreria
sem alguma certeza até a vida ao monótono sucumbiria
o que virá depois do depois?
Thiago Lobão 15/09/2019
Na Ribeira
um
verde musgo
na
romaria do rio
no
canto
de
todos os sons
do
canto das pedras
e
águas
sem
ideal
romaria
de rio
ria
da vida
(ela
e o chiado)
ia
de tudo na ida
de
tudo da vida
só o essencial necessário
a vista sem ideal
e romaria de fés a perder de vista
sem
final
(carnaval
de luas)
e
ventania no canavial
nos
dendezeiros
no
sapoti
e a
visita
das
águas na beira do ser
falava
da indiferença
daquelas
romarias
dos
caminhos
dos
sentidos
para
com o juízo
Thiago
Lobão 20/03/2010
Sr. "All"
vivo esperando dia que sr. Algoritmo
vai executar ou devorar meu ritmo vivo
nos gerúndios ou em esperantos
que dia vai imitar ou des-imitar
meu canto, meus en-cantos e meu escutar...
será que um dia vai des-esperar
de me de-cifrar e dis-parar
deixando meus passos pra lá?
quero ver sr. Algoritmo
na Amazônia uma nevasca executar!
quero ver sr. Algoritmo res-pirar
e não piorar
ou em vez disso
irá se engasgar quando tropeçar
em há que é a?
sr. Algoritmo, você tem limites?
é uma figura...
um embuste da altura dum busto
é só um susto que vai des-configurar
(se duvidar...)
se acaso a dúvida se salvar
Thiago Lobão 23/08/2019
Vida
produzo contido no sulco da carne
na face oferecida ao tapa da hora
e este condimento é agora
somente semente imagem paralela
ao transcorrer
induz-se macia a lírica a cena
cúmplices do sol
a dar de comer a açucena
entre nuvens em movimento num céu parado
e será afinal ao fim do salto fatal
da vida sob(re) mim
a fruta e o arado
um infinito tempo espiral
neste poema atomizado
Thiago Lobão
07/10/09
na face oferecida ao tapa da hora
e este condimento é agora
somente semente imagem paralela
ao transcorrer
induz-se macia a lírica a cena
cúmplices do sol
a dar de comer a açucena
entre nuvens em movimento num céu parado
e será afinal ao fim do salto fatal
da vida sob(re) mim
a fruta e o arado
um infinito tempo espiral
neste poema atomizado
Thiago Lobão
07/10/09
Que vem lá?
carinhos entre nós
caminhos por nós
ao desatar ninhos
ao temperar novas umidades
e cerzir e surgir nas íris outros ares
e na fogueira aconchegante das peles
o semblante de uma fronteira porvindoura
ventos ora alisam ora precipitam
enchentes palavras
que inventam os voos
semeando o que sai e o que não sai
das bocas
nossos detalhes
os beijos acolhidos
caminhos por nós
ao desatar ninhos
ao temperar novas umidades
e cerzir e surgir nas íris outros ares
e na fogueira aconchegante das peles
o semblante de uma fronteira porvindoura
ventos ora alisam ora precipitam
enchentes palavras
que inventam os voos
semeando o que sai e o que não sai
das bocas
nossos detalhes
os beijos acolhidos
Susto de flor
a flor quando nasce é bela
quando chuva molha também
inesperada espera
do que não se espera de alguém
cadê meu amor, cadê
que ainda vem?
a flor quando aparece é bela
quando desaparece também
é um quando de ser
que está e não está por florescer
cadê a flor, cadê?
ar que vira cor
terra tecendo
ciranda do reaparecer
Estares estrelas
as estrelas
sem disfarces
sem notícias
germinam gravidades na terra
que importa o tempo
sem o calor ou o relento
temperando peles no mundo?
explosões em antares
e em planetários corações:
recado das origens
por cada sendo orbitam
histórias de instantes
sentido é um sentindo
ter sido e vir a ser:
horizontes
sendas por tempos extrasolares
bordas do agora
costuras concretas das horas
Leve caos
quando evitar
é vital
quando levitar
é essencial
renovam-se quandos, poréns
o quem, o tao, os tais
quando é preciso a impermanência
das marés e dos cais
é vital
quando levitar
é essencial
renovam-se quandos, poréns
o quem, o tao, os tais
quando é preciso a impermanência
das marés e dos cais
Nosso tempo
para N.
quando você não estámas passeia por minutos e minúcias que correm em mim
não conto as horas para te ver
e quando acontece eu e você
as horas não se dão conta do passar
é um voo longo e um vão nosso
de so passarinho ver
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