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Passeios no bosque

céu de depois da chuva
marte e saturno em companhia

a centopéia ensina tantos pés não apressa
aprender é recomeçar pela origem de cada presente
pelo caminhar e pelo caminho

caminhantes os planetas e viventes as palavras
habitavam a terra

Conduzires

conduzir por todo dia a alegria indizível dentro do caos falador de terras e de céus

escutar indizível
enxergar invisível
navegar em nimbus in-preciso sendo ventar e sendo verter a cada segundo

reconduzir a tudo que nos induziu pelo que reluziu e não pelo que desbotou
como se fosse sempre a primeira vez:
amar
nascer
viver
morrer

cultivar jardins de verbos-gestos coloridos ou de árvores
semear e colher dos relevos e serras a liberdade possível a todo sens-ação
para todo voo

confluir entre passos, caminhos, caminhares, passares e passarinhos
sincronizar a raiz e o fruto
o presente é o futuro
para se banhar em nascentes de vida nova e de cri-ação
em mares da bonança das celebradas e inesperadas ondas ou nuvens

conduzir e deixar-se conduzir
ser condutor e ser conduzir
ser para se atrair
ser para se repelir
ser é saber de si


Noites de verão

olhos mirados em teus seios
no farfalhar das auroras
os seixos
as cangas
         
dois olhos arriados por teu ventre
entre entres
enlaçado em tuas miçangas
coloriam sexos como esteios

olhos vazados do que não se enche
em cada planície macia de pelos
dos tecidos às funduras
dois futuros
tuas temperaturas
salgadas

dois olhos arribados sobre tuas costas aladas
sobre teus ombros cansados teus verdes maduros
pendidos como ventos das larguras aos cheiros

teus olhos
duas luas
planetas inteiros

Conhecer-si

conhecer-se o quem do conhecer-te
conhecer-me aquém e além do conceber-me
conceber-me quantas vezes preciso
conter-se e desconter-se no possível pendulante
ou antes ou depois do cerco do ser-se
ou extrair-se do impossível ou do incabível a cada sempre
conhecer-se quem
sobretudo antes de ser o o que
o porque
o ter
o para que
a cada dia

Sobre um dia

um dia
não mais que um dia entre noites e vertigens

surgem momentos em espaço-tempo-energia
surgem outros dias e por tudo um elã e um paralelo

brotam as horas de qual fonte?
enquanto a noite goteja planetas-estrelas
Júpiter, Marte, Saturno, Antares

existem constelações de formas e sentimentos por aqui dentre terra
pela potencia em forma de ato da semente
a vontade de escolher entre vida e morte

a noite
essa passagem para outras noites
para tantos planetas-estrelas

mar tão grande dentro de cada íris e de cada pele

noites feitas de fantasias sob medida para um organizado carnaval

noites vestidas de dias

seriam passagens para onde?
o impulso do mistério em tudo que muda e permanece
permeando em tudo e adentrando o céu:
muro de infinitas pontes