Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

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as galáxias dançantes que vimos 

assombrados diante da velha televisão

foram atualizadas por um novo telescópio

estão mais jovens, próximas, nítidas, iluminadas, 

desencobertas, seminuas


três anos que não te vejo daqui da Terra

mas para as galáxias são bilhões de anos

de que tempo e distância ou de que luz é a saudade

perambulante na negra noite interrompida e quase-eterna?


você não tem mais o rosto iluminado pela Lua e pelo Sol

e está e não está a alguns metros de profundidade abaixo 

da terra

ainda fincado porém em meu peito e nas estrelas


mais bilhões de outros sereszinhos já te comeram a carne

e lá está a sua ossada com átomos de cálcio de outros 

universos

diante de mim e do agora está a incompletude risonha 

satisfeita anônima inteira ilimitada que você disse 

existir


seu rosto se confundiu como eu previa nas novas imagens 

televisivas de um céu que não vemos daqui e que não vimos

mas de que somos raízes por dentro:

eu e você igualados e refeitos de nossos céus 

invisíveis sob a pele: implosão

eu e você reuindos novamente face a face na memória

e seu rosto maravilhado entre a fumaça da sala 

com as imagens de um obsoleto instrumento terráqueo


na dura caixa te enxergo daqui e de outra outro 

deslembrando de quando será a minha vez de constatar como 

você a hora ou a des-hora da mesmice pálida e prazerosa 

de quando não há mais diferença entre falar e calar


Thiago Lobão - rascunhosdesois.blogspot.com


(entre a sentença e a benção

a licença da ventania que

palavra faz no corpo

paciente agonia em silêncio que dá)


distopia inventa moradas

atrás de futuro ou de esquecido

faz crescer florestas de nuvens

em voláteis estações inomináveis

do córtex até estrela

aparece na estrutura de tudo


só nascemos e morremos livres

verazmente fora de tempo e espaço

rascunhados na teia temporal existimos porém

utópicas histórias sem início nem fim

enchente de gente inacabada

que achamos por ser


Thiago Lobão - rascunhosdesois.blogspot.com

@rascunhosdesois

sonhei que dormia na página sem fim

uma história no continente de si

que eu não sabia atravessar


era preciso rir e radicalizar de ir à raiz

algumas pontes e outras cidades talvez

até uma temporã infância na ilha


da geografia da memória à face da hora pálida

infalível liberdade temporal

entre têmporas na chuva


Thiago Lobão @rascunhosdesois.blogspot.com

@rascunhosdesois

Entre-passadas

(adorava sua inteligência bela

e sua beleza inteligente)


lembro ainda do que me falou:

antes não fazia sentido

sem você agora faz


o agora nos refez e se refaz

o amor também: em quem mora

(aquele que nos descobriu tórrida nudez

e se desfez na chama árida da hora

quando era nossa vez)


Thiago Lobão  rascunhosdesois.blogspot.com

@rascunhosdesois