Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

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Por causa de você

nas noites que te amei constante

fingindo não lembrar de ti

foi quando dei para amar mais que bastante

até esquecer de mim


incauto sem saber que o amor

depois faria comigo tanto e tudo o que fiz

sem tirar nem pôr


altivo amador cruzei a estrada

planalto sem beira em breu

tentando apagar os vestígios

de quando fui feliz ao lado teu


e herdei das horas a fio

inúteis arrebóis de agora

sem você e pelo tempo olvidado


uma solidão solar de sertão cresceu

na cidade, na plantação e até no arado


Thiago Lobão  rascunhosdesois.blogspot.com  @rascunhosdesois

Dilema

se junto, sorri e inexiste

se disjunto, sorri e insiste

na cantilena da des-vontade

em quem sente

entre ter nascido

não ter sido

e ser ido

sem parada ou paradeiro

é saudade estrada sem sentido

bicho debaixo da pele

flor insana do clichê das horas

irriga e claudica coração mundano

des-humana senhora

caudilha e bem-aventurada

para amantes de outrora


Thiago Lobão       rascunhosdesois.blogspot.com

Voar até

sem quase querer
vou até de avião 
para te ver
querendo você e eu

quando virá verão
feito quasar de outrora
e a sós após o sol de agora
quem sabe que voo poderemos...

outra vez restarão escuro e futuro 
planando perdidos na tez
ou saciará infinda de vez
a sede do que seremos...
tórridos e serenos 
do que o querer nos fez

Thiago Lobão          rascunhosdesois.blogspot.com

Balada do impossível amor

Para você)
que não pude amar
(mais do que pude
Passo
E você
meu corpo só
demora a deixar

Passo
E você da hora
na rua esguia
ausente está

Passo
E você
doce lembrança insone
insiste despertar

Passo
E você
da rotina a retina
não parece desgarrar

Passo
Senão viro miragem
a te imaginar

Passo
Senão fico paisagem
inútil a te mirar

Passo
senão sou imagem
na estrada a te des-achar

Passo
por que impreciso é passar
Por que é preciso que passe
o percurso de te querer impossível
Senão ficarei invisível
ao raiar do dia onde hei de amar

Senão estarei insensível
aos vindouros passos
aventurados e passageiros
pelos quais amanhecerei amante adorado
errante e derradeiro

Thiago Lobão                      rascunhosdesois.blogspot.com

Poema ao tempo de ano novo

Se você aplaudir o tempo
Ele te aplaudirá
Se você debochar do tempo
Ele te debochará
Se você escutar o tempo
Ele te escutará
Se você ignorar o tempo
Ele te ignorará
Se você sorrir para o tempo
Ele te sorrirá
Se você enganar o tempo
Ele te enganará
Se você navegar com tempo
Ele te navegará
Se você contrariar o tempo
Ele te contrariará
Se você amigar com tempo
Ele te amigará
Se você mal dizer o tempo
Ele te mal dirá
Se você abençoar o tempo
Ele te abençoará
E se você não tiver tempo
Para o tempo que não pára
Ele tempo para você não terá
Só se glorifica com tempo
Quem glória ao tempo dá
E a quem der tempo ao tempo
Voltará ele para cobrar ou pagar

Thiago Lobão                                  rascunhosdesois.blogspot.com

Algo assim

Sem diluir seres num ser                Para Alice
Nem vice-versa
Paisagem em reverso diz:
Viver já é bastante coisa
E não é o bastante
Abismo de tirar fôlego
Superfície de afogar com ar
Lua pendular de vida e marfim
Qual passagem o ego quer vagar?

Em colorido sextante
Amanhecer da estrela flor solar
Das andanças do vislumbrar
Intermitente ou constante
Amor é estar ainda cheio
Quando a maré vazar
Entender em perceber
Se lembrar que desejou
Por qual aventura o seu ser errou?

Thiago Lobão            rascunhosdesois.blogspot.com