Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

Versão para a web no fim da página para músicas e clipes

O cisco e o sismo

o abraço do abismo 
da liberdade:
são pés que se afagam na Terra
são torrentes que afogam ao irrigar
imenso mar de nada que nada em si
são sonhos que pairam e ventam o ar
são andarilhas de horizontes ora aqui ora ali
a liberdade bruxuleante:
sombria grandeza
anônima ululante
brilho estelar que extingue e fomenta
ora atada a um fruto de raiz
ora ao céu e do infinito a um triz
é uma festa de imponderáveis paisagens
é a tirania das realidades em astronômica gravidade

Thiago Lobão

Casulo

                                                        Para Natália
nosso caso é um casulo
uma casa pro futuro
mistério e luz ao ocaso e no escuro
nosso caso casa
sem lugar tem asa
e o voo é uma brasa
que acende
que apaga
entre vontade e acaso
nosso caso é um causo
aconchego sem nexo causal
um inexplicável casual
contato com sexo e astral
nosso caso é ancestral
entre pés no chão
e abraços no céu
nosso caso é de cordel
em emaranhado de peles
se inscrevem os planetas
dessas fantásticas historietas
entres estrelas em carrosel

Thiago Lobão

Planície noturna

o globo terrestre que você me deu
gira ainda e tem apontador de lápis - que nunca usei
para onde e por onde aponta este presente?
(só o mistério do que sabemos)
e a dor latente - agora de mundos caducos - ainda se escreve
alheia aos nossos dedos grafadas em mapas de corpos
por onde andará a terra por onde andamos que adoramos?
enquanto uma insônia corroi a memória
sonho com esquecimento e com viagem de volta
a minha planetária existência
sei que por alguma cidade que não enxergo daqui
passeia você entre a lua cheia e o nada
o globo terrestre que me deu girou
quando o liberei da agulha apontada para a cidade
na qual nunca nos encontramos
aonde me identifico neste objeto voador des-identificado?

Thiago Lobão