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Eram os seres eternos

voam através do sereno sobre o caos
voos e voares de corpos no espaço

são caminhos incontáveis de fúria ou de paz
voando
é voador imponderável

enquanto entoam pelo noticiário a fugaz e a líquida vontades diárias por velocidade e por necessidade de contingencias plenas
as vidas as poesias as delícias 
sendo trituradas e empacotadas por bondade de migalhas de uma humanidade falida

mas permanecem voando para aquém e para além dos corpos do sem espaço
o que não se voa pois em todo lugar já habita o ar

são liberdades ou utopias de cada ser emitidor que resistindo ainda é e ainda será a cada mudança do cosmos
para sempre

até que os seres todos sejam eternos novamente






Metafísicas I

a voz é a foz que deságua no nada e no eco de tudo
a água é um tudo e é um nós que habita pela pele de tudo

a voz é uma vez por que vez não tem tez e não tem vez
a voz não é feroz mesmo se carece e se na foz de nós não derrama água de habitar

a luta é hábito de habitar e é conduta no ducto de autoconduzir e de autocondizer
e a voz se introduz no que se diz e no que não se diz
entre algo e entre nada

a voz é um bicho feroz e é veloz velocidade
é uma vez da vez e pode ser atroz ou ser humana
a foz é lugar donde brota e desbrota o que nunca se separa de nós

(e no cerne da carne pensa um pensamento dentre infinitos e infinitos
num planeta indizível)

Noite enluarada

céu dos céus
de azuis infindos

tão lindos com a lua jorradora de marfim

céus explodidores de noites
e de diamantes tingindos de inverno

um brilho ao redor da praia a anos-luz de salvador

céus fazedores de vento voo
céus destruidores de liberdades ventanias

no cume do inverno dos invernos
uma noite de verão se aproxima à deriva no mar infinito mar

e nos corações pulsando terras