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Entres do cais

entre o cais e o atlantico as viagens silenciosas de sol

entre a toada e a corrente
o nada, o átomo, o impossível, o tempo

entre o corpo do corpo e outro
fronteira que é morar em algo

entre o entre do entre
a língua vã de quem ressente

entre os beijos da moça
uma larga e clara poça

entre a liberdade de ser até se deixar ser e não ser
os passos, mil passos da história

entre pessoas e gestos na praia
os entre, os ventres, os de repente

cheiro de melodia de caminhos e caminhares para alma
um oco ora frouxo ora metido em tudo
paisagens de caminhares e vidas
em cirandas, em balanços, em nuvens

a melhor sinceridade é a que não carece provar qualquer verdade


Soneto ao fim do verão

um mergulho no mar
outro num sentimento
terra é feita do que há
água boia na retina do ar

por tudo um elã e um paralelo
desde revés até o singelo
um corpo belo de manhã

espraiado em gota e tempo
dos céus aos sais
um marulho de elo e pensamento
outro na foz de dentro

entre tus e entre vós
tudo trai no que finda atroz
tudo traz a paixão que pinga de nós