abrem-se águas de dentro dos olhos
os mares e as marés de dentro
dentro dos olhos tez salgada de azul
dois planetas nos olhos
dois inteiros cometas e mistérios na praia de areia branca
verões por todos os cantos
de dentro do mar - abraço de terra - os mundos invisíveis
de sons reverberando no peito
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Mar
há dança de vestígios no invisível tocante aos olhos
capoeira de infancia que nunca cessa e da sede
festa de gesto e letra
corpos descobertos e encobertos de mistério na praia
de vestígios que em tudo incidem emergem brincadiras
a peripécia da pensação
ciranda das peles à lua e ao sol
da praia de uma cidade devastada pela cor
fez-se criança novamente na solidão ardente
de um mar
Tempo II
tem tato largo
tem teto lento
teia que norteia
é afeto enluarado
romance de evento
tem fundo raso
tem gente fora e dentro
atraso do ocaso
é borda sem beira
entre sem fronteira
tempo é coração de quem mora e não se demora na hora da razão
tem teto lento
teia que norteia
é afeto enluarado
romance de evento
tem fundo raso
tem gente fora e dentro
atraso do ocaso
é borda sem beira
entre sem fronteira
tempo é coração de quem mora e não se demora na hora da razão
Tempo I
tempo de vozes
e às vezes todos eles
todas elas velozes
horas caudalosas de zelos
tempos ao lado da ponte
dois lados de uma fronte
a frente e o fundo do ente
de tempos aondes
o silencio entre as peles
festa do sentimento
o silencio entre as mentes
tempos são cirandas transparentes
tempo e som se esculpindo dois a dois
as vozes do tempo no silencio do pensamento
mais que corpos espaciais
sem fundo sem beira sem entre
e às vezes todos eles
todas elas velozes
horas caudalosas de zelos
tempos ao lado da ponte
dois lados de uma fronte
a frente e o fundo do ente
de tempos aondes
o silencio entre as peles
festa do sentimento
o silencio entre as mentes
tempos são cirandas transparentes
tempo e som se esculpindo dois a dois
as vozes do tempo no silencio do pensamento
mais que corpos espaciais
sem fundo sem beira sem entre
Epifania
abaulada em vestido
repousada pela pele
sintonia no alarido
meio dia luz compele
vem secando o chovido
vem pintando de amarelo
irradia na libido
maresia do singelo
adorando olho e cabelo
festejando orvalho inteiro
relevo de tez e de zelo
enlevo de corpo e de cheiro
flor por acidente é a gente
amor que de repente é enchente
repousada pela pele
sintonia no alarido
meio dia luz compele
vem secando o chovido
vem pintando de amarelo
irradia na libido
maresia do singelo
adorando olho e cabelo
festejando orvalho inteiro
relevo de tez e de zelo
enlevo de corpo e de cheiro
flor por acidente é a gente
amor que de repente é enchente
Segundo do cajueiro
morri certas vezes pelas passagens e por todas elas houve viver
por todas elas passageiro é verbo luminoso e mensageiro
viver é morrer e morrer é viver
como passagem necessita do que não passa para ser
como tempo que é vizinho do nada
para a morte e para a vida os tempos são detalhes
e sem detalhes o relevo do todo não vigora plenamente como mistério
viver e morrer são detalhes e são mensagens por toda passagem
por todas elas passageiro é verbo luminoso e mensageiro
viver é morrer e morrer é viver
como passagem necessita do que não passa para ser
como tempo que é vizinho do nada
para a morte e para a vida os tempos são detalhes
e sem detalhes o relevo do todo não vigora plenamente como mistério
viver e morrer são detalhes e são mensagens por toda passagem
Passeios
o que se espera?
o Sol de todo dia e de toda noite
as nuvens em suas alegrias pelo azul
o sem ar de toda gravidade
as vidas escorrendo de dentro para fora e de fora para dentro
a luz de toda palavra na tez da terra profunda
o velho sendo novo a cada vez do sendo
passeios nos corações
esperança é entrega desinteressada ao inesperado
esperança é entrega desinteressada ao inesperado
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