dar-se conta do tempo
é dar-se ao tempo que nasce
importar-se ao tempo é aproximar o inesperado
que fulge em escuro em nada
no esparramar-se do ar
transportar-se de esperança
da luz ao nada
a um tempo que não presta contas
não se dar conta do tempo é sorrir ao revés inanimado
é gozar um tempo que não se da
pois incontável
nem que se esvai gota a gota em eternos
dar-se conta do tempo é cuidar das passagens
habitar o passageiro
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É outono
a calma insaciável das utopias
das horas
das velocidades
era a mesma na alma
o que se é depois de já ter sido
branduras em fúrias de traços
horizontes
sementes
infâncias a perder de vista
as infâncias
falantes por todos os lados
os queijos
as fontes:
essas calmas incansáveis de vento
o sendo de qualquer sido
das horas
das velocidades
era a mesma na alma
o que se é depois de já ter sido
branduras em fúrias de traços
horizontes
sementes
infâncias a perder de vista
as infâncias
falantes por todos os lados
os queijos
as fontes:
essas calmas incansáveis de vento
o sendo de qualquer sido
Arveres
se o ar desejar
deixa soprar
se o fogo arder
ar de dourar
se ar lhe faltar
há de ser ar em qualquer há
deixa soprar
se o fogo arder
ar de dourar
se ar lhe faltar
há de ser ar em qualquer há
Por ondes
frestas
brechas
abertas entre planetas
ou entre as pernas daquelas cordilheiras
ou entre tramelas de horizontes
beiras
gretas
ou gestos de ventos aondes
em ilhas tendas
tenras terras circulantes
ou entre as rachas
ou entre as plenas funduras de tudo
ou entre os corpos de sulco
ous e es são mesmas coisas
grotas ou grutas de ser
gotas falantes
vidas inteiras de és
bem vindos sonhos
habitats e habitantes
brechas
abertas entre planetas
ou entre as pernas daquelas cordilheiras
ou entre tramelas de horizontes
beiras
gretas
ou gestos de ventos aondes
em ilhas tendas
tenras terras circulantes
ou entre as rachas
ou entre as plenas funduras de tudo
ou entre os corpos de sulco
ous e es são mesmas coisas
grotas ou grutas de ser
gotas falantes
vidas inteiras de és
bem vindos sonhos
habitats e habitantes
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