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Surgir

há bonança em olhos salgados
mirando incontíveis às íres
contornando tempestades aos galopes da luz

há coisa ao leste da bonança
que quer afogar o que salva
pois pelas superfícies seus fundos
em cada olhar os tais mundos

há esperanças como estrelas
raízes do céu e ancestrais de solidões habituais
há alegrias e cóleras em tudo e em nada

há em corpos de esperança
gestos do inesperado
há em olhos já secados
tempestades chovendo olhares nas bonanças

o que não está
pois já esteve ou pois estará já
é o que se insurge entre caminhar
navegar tempestade e bonança
solidão e esperança
além dos olhos
além do mar

Desterro

vento sul
sopra espaço de luz
aço de nuvem
bravo de breve
neve de tanto
intento leve
lava

rima escaça
esbugalha manhã
ímã maçã
quem e em se é si
o que venta é a rosa
e x

outras pernas trovas
outras penas
ovas

voando sem voar
é sentir
correndo rã
a toada
é toalha
a servir
pra cantar

seguindo o que não tem caminho
morando num não ninho
se não é
o avesso do gostar
só si é
e nada mais

os outros dos tus
é outeiro
são ta tus
é festa de amar